Durante o processo de expulsão iniciado pelo União Brasil, o ministro do Turismo, Celso Sabino, optou por permanecer no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e se distanciou das manobras da própria sigla contra a administração federal. Sabino, que desempenhou um papel crucial nas articulações do partido dentro do governo, busca se posicionar como um intermediário entre a legenda e a gestão, numa tentativa de resistir à decisão de saída.
— Considero positiva a ação do governo em reestruturar sua base. Atualmente, o governo é como uma noiva, goza de boa reputação. Estou me defendendo no processo que foi instaurado contra mim, continuando a apoiar o presidente Lula e apresentando nossos projetos — disse Sabino, conforme reportagem publicada na noite desta terça-feira, 14, pelo O GLOBO.
A interrupção das discussões que visam revogar os vetos ambientais e tensar a relação com o governo é vista como um movimento estratégico. Desde que a Executiva do União Brasil optou, no dia 18 de setembro, pelo desligamento de todos os membros da Esplanada, Sabino tem adiado sua saída. Ele chegou a elaborar uma carta de renúncia, mas decidiu não enviar após um pedido de Lula para que ele continuasse na função durante a agenda da COP30 em Belém — tal decisão gerou descontentamento entre a liderança do partido e resultou na abertura de um procedimento disciplinar.
— Creio que a escolha do partido foi precipitada e feita de forma rápida. A maior parte dos membros está do meu lado — declarou nesta terça-feira.
As declarações foram feitas após uma reunião na Câmara dos Deputados.
O deputado Fábio Schiochet (SC), responsável pelo relatório do caso, sugeriu a saída do partido. Após a recomendação de expulsão, Sabino recebeu uma suspensão de 60 dias, prazo em que deve apresentar sua defesa.
Líderes associados a António Rueda consideram que a continuidade de Sabino compromete a legitimidade da liderança e estabelece um precedente que pode incentivar outros membros a ignorar as resoluções do partido.
Nos corredores do Planalto, a decisão foi de não se envolver diretamente no conflito. A percepção é de que Sabino possui apoio político no Pará e apresentou resultados positivos durante sua gestão no ministério, o que justifica sua permanência até o término da disputa interna. Com uma pré-candidatura ao Senado em 2026, ele enxerga na COP30 e no Círio de Nazaré oportunidades cruciais para fortalecer sua base de apoio eleitoral.
Durante uma fala ao lado de Lula em Belém, Sabino destacou a sua aliança com o presidente:
— Presidente Lula, as ações que realizamos juntos na área do Turismo ficarão eternamente na memória. Ninguém, nenhum partido, nenhum cargo e nenhuma aspiração pessoal poderão me distanciar deste povo que tanto prezo e do Estado do Pará. (Foto: Ricardo Stuckert)
Por Opinião em Pauta com informações de O Globo


