Presidente da Assembleia do Rio é preso pela Polícia Federal

Henrique Acker  –  Mais um peixe graúdo da política do Rio de Janeiro caiu na rede da Polícia Federal. Desta vez foi o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil). Ele é acusado de vazamento de informação sobre a Operação Zargun, que levou à prisão de seu colega, deputado TH Joias, em setembro deste ano, por envolvimento direto com o Comando Vermelho.

A participação do presidente da Alerj foi constatada após análise de material dos celulares dos dois parlamentares. Trocas de mensagens entre Bacellar e TH Joias são apresentadas como provas do vazamento de que a PF estaria realizando uma operação que chegaria ao deputado.

 

“Larga isso aí, seu doido”

A detenção preventiva do presidente da ALERJ foi determinada pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, no contexto da ADPF 635RJ, que gerou a investigação sobre a atuação dos principais grupos criminosos do Rio e suas ramificações no poder público. A ordem de prisão Bacellar incluiu seu afastamento da Presidência da Assembleia Legislativa.

O rastreamento de comunicações telefônicas e por whatsap de TH Joias indicou a ligação direta entre o deputado preso e o presidente da ALERJ, a quem chamava de “O1”. Os contatos se deram inclusive no dia anterior à detenção de TH Joias, que teria recebido a informação da operação da PF e se desfez do celular antigo e de objetos de sua casa.

Joias teria questionado Bacellar se poderia manter em sua residência alguns objetos como um freezer. Em resposta, Bacellar teria respondido: “Deixa isso, tá doido? Larga isso aí, seu doido.”

“Os fatos narrados pela Polícia Federal são gravíssimos, indicando que Rodrigo da Silva Bacellar estaria atuando ativamente pela obstrução de investigações envolvendo facção criminosa e ações contra o crime organizado, inclusive com influência no Poder Executivo estadual”, é um dos trechos da petição da prisão de Bacellar por Alexandre de Moraes.

O ministro conclui que “no caso em tela, em relação ao deputado estadual Rodrigo da Silva Bacellar, são fortes os indícios da sua participação em organização criminosa”.

 

Nome cotado para governador

A Presidência da ALERJ já foi ocupada em sessão emergencial pelo 1º Vice-presidente, deputado Guilherme Delaroli (PL), tido como o braço direito de Rodrigo Bacellar.

Delarolli foi um dos deputados que votou pela “Gratificação faroeste”, bonificação para policiais civis que matassem criminosos ou apreendessem armas de grande calibre. O governador vetou a medida.

Desde 1991, quatro presidentes da Assembléia Legislativa do Rio foram presos. Antes de Rodrigo Bacellar, operações contra a corrupção levaram José Nader, Sérgio Cabral, Jorge Picciani e Paulo Melo para a cadeia.

Cinco dos últimos seis governadores do Rio também estiveram presos: Moreira Franco, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão. Bacellar chegou a ser cogitado como um possível candidato a governador do Estado para a eleição de 2026.

A detenção preventiva de mais um presidente da ALERJ reforça as evidências de que o crime organizado, formado por facções e milícias, opera no Rio de dentro do Estado e suas instâncias de poder.

Na imagem destacada, TH Joias e Rodrigo Bacellar.

Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações do G1, O Globo, CBN Notícias.

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