Em encontro realizado no Rio de Janeiro, prefeitos, autoridades regionais e representantes de organizações de 20 nações se comprometeram a colaborar com o alcance das metas climáticas de seus países. Além disso, foram apresentados mais de 2.500 projetos locais inovadores voltados à mitigação e adaptação das cidades frente às mudanças climáticas.
As responsabilidades foram delineadas na Declaração dos Líderes Locais para a COP30, que foi apresentada nesta quarta-feira (5), ao término do Fórum de Líderes Locais da COP30, que teve início na segunda-feira (3), na cidade do Rio de Janeiro. Este evento ocorre como uma preparação para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, que acontecerá durante este mês, em Belém.
“Unidos, temos o compromisso de melhorar a qualidade de vida das pessoas de forma justa e sustentável, fortalecendo comunidades mais resistentes, aumentando o acesso a fontes de energia renováveis, incentivando a eficiência no uso da energia, diminuindo as emissões de gases de efeito estufa, promovendo soluções que respeitam a natureza e conservando florestas, a biodiversidade e os recursos hídricos”, afirma o texto.
As lideranças firmaram, no documento, três compromissos:
- Auxiliar as nações na realização de suas metas climáticas locais, funcionando como colaboradores na execução e incentivando uma transição equitativa e robusta.
- assegurar um portfólio sólido com mais de 2,5 mil projetos locais que promovam mudanças significativas e que sejam passíveis de financiamento, auxiliando na distribuição e direcionamento de recursos climáticos para ações de mitigação e adaptação.
- progredir na atuação e cooperação em múltiplos níveis para transformar o processo da COP em um ambiente de execução e prestação de contas.
As autoridades afirmam que a resolução das questões climáticas está indo pelas cidades, já que 80% das emissões globais se originam nelas, e os centros urbanos hospedam a maior parte da população. No Brasil, 82% da população reside em áreas urbanas.
Os dirigentes regionais exercem uma função crucial na nova estrutura global de financiamento voltado para o clima. Eles possuem a capacidade de regulamentar, planejar, tributar, atrair investimentos e orientar os mercados. Atualmente, 44% de todos os mecanismos estabelecidos de precificação de carbono no planeta são aplicados em níveis subnacionais, conforme afirma a carta.
As lideranças e entidades que assinaram a carta abrangem mais de 14 mil cidades, municípios, estados, províncias e administrações regionais. Além do Brasil, a carta inclui representantes das Filipinas, Serra Leoa, Reino Unido, Austrália, Suécia, África do Sul, Peru, Romênia, Canadá, Ucrânia, Japão, França, Alemanha, Marrocos, Itália, Coreia do Sul, México, Argentina e Estados Unidos.
Embora os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, não tenham confirmado sua participação na COP30 e tenham declarado a retirada do Acordo de Paris, tratado internacional estabelecido em 2015 com o objetivo de conter o aquecimento global e seus efeitos por meio da colaboração entre nações para diminuir as emissões de gases de efeito estufa, prefeitos e delegados de ambos os países estiveram presentes no evento realizado no Rio de Janeiro.
“Durante esses últimos três dias, vivenciamos o que líderes municipais e administradores regionais vêm destacando há bastante tempo: a eficácia das cidades e dos governos locais em realizar as mudanças indispensáveis. O principal assunto debatido aqui foi a maneira de converter ideias em financiamento. O Sul Global demanda investimentos. As cidades possuem um potencial significativo para pôr em prática políticas, e isso é o que temos buscado realizar no Rio nos últimos anos. Definimos objetivos bem claros na administração municipal relacionados às questões climáticas”, declarou o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. (Foto: Reuters)
Por Opinião em Pauta com informações da Ag. Folha



