Henrique Acker – Uma greve geral paralisou Portugal neste 11 de dezembro. As duas maiores centrais sindicais (CGTP e UGT) denunciam que os 120 artigos da nova lei laboral, apresentada pelo governo de direita do PSD e CDS, destroem o que restou da legislação trabalhista, atacando direitos e benefícios dos trabalhadores. O mote do pacote é o aprofundamento da precarização das relações de trabalho.
Segundo a CGTP, as mudanças propostas pelo governo “promovem a desregulamentação dos horários, multiplicam os motivos e aumentam os prazos para os vínculos precários, facilitam as demissões e limitam a defesa e reintegração dos trabalhadores, atacam os direitos de maternidade e paternidade.
Ainda de acordo com documento da central sindical, os termos do projeto “facilitam a caducidade e promovem a destruição da contratação coletiva, atacam a liberdade sindical e o direito de greve, impondo limitações que ferem de forma profunda estes direitos fundamentais.”
O movimento paralisou totalmente trens, ônibus urbanos, metrô, aeroportos, escolas, hospitais e outros segmentos do serviço público. Mas também foi forte no setor privado, paralisando totalmente grandes empresas, como a Mitsubishi (Santarém), as unidades da Auto Europa/Volkswagen em todo o país, e a Sumol/Compal (indústria de sucos/alimentos).
A greve ainda atingiu agências da CTT (Correios), empresas do setor de Cerâmica, fábricas do setor têxtil e calçadista, estaleiro da Lisnave, diversas empresas do setor de energia, alguns supermercados, setor de beneficiamento de carnes e a coleta de lixo em diversas cidades.
Em Lisboa e no Porto foram realizadas grandes manifestações de rua ao final da tarde do dia 11/12. A avaliação dos dirigentes sindicais é que o governo de direita terá que recuar do projeto ou abrir negociações em torno dos pontos mais duros.
Depois de negar o sucesso do movimento grevista e definir a greve como “inexpressiva”, o governo do PSD/CDS declarou estar aberto a negociar com as centrais sindicais. Mas só convocou a UGT para uma conversa, na próxima terça-feira, deixando de fora a CGTP, maior e mais combativa central sindical do país. A direção da UGT, no entanto, já avisou que para que a conversa avance o governo terá que partir do zero.
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações do Expresso, portal da CGTP e RTP.


