Planalto avalia que EUA devem aplicar novo tarifaço

A administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está elaborando um minucioso “roteiro” para refutar os argumentos apresentados pelo governo de Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, que servem como base para implementar novas tarifas sobre produtos originários do Brasil. Essa abordagem está sendo discutida durante os encontros com Jamieson Greer, representante do Comércio dos EUA.

A iniciativa do Brasil tem como objetivo apresentar que não existem bases técnicas que sustentem as ações defendidas pelos Estados Unidos. Um dos focos principais será evidenciar que o desmatamento no Brasil tem diminuído continuamente, desafiando a narrativa de negligência proposta pelos americanos. Além disso, o governo planeja enfatizar que o país segue práticas comerciais alinhadas às normas internacionais e que não recorre a táticas desleais.

De acordo com fontes do governo, a principal queixa de Brasília é que os Estados Unidos não detalharam quais medidas extras aguardam do Brasil, tanto em questões ambientais quanto em comércio.

Para facilitar as negociações, o Brasil apresentou uma proposta que busca beneficiar ambas as partes, focando em três setores-chave para os Estados Unidos: maquinário e equipamentos, setor de saúde — aproveitando o extenso poder de aquisição do Sistema Único de Saúde (SUS) — e tecnologia da informação, uma área que, segundo a análise do governo, não entra em conflito direto com a estratégia da Nova Indústria Brasil (NIB).

Paralelamente, a administração estabelece uma posição intransigente nas discussões: o Pix não será considerado e não será alvo de nenhuma concessão para os Estados Unidos.

O objetivo é finalizá-lo até 15 de julho, com a esperança de persuadir Washington a adiar a implementação das novas taxas. Embora haja uma intensa movimentação diplomática, a avaliação majoritária dentro do governo é que o resultado mais provável ainda seja a confirmação da tarifa de 25% sobre os itens brasileiros.

A análise sugere que a preservação da tarifa serve não apenas a propósitos comerciais, mas também a metas políticas na gestão de Trump. uma polarização em Washington: enquanto setores relacionados às negociações econômicas, como o USTR e parte da equipe econômica, adotam uma abordagem mais prática, um grupo no Departamento de Estado defende uma postura mais rigorosa em relação ao Brasil.

Neste contexto, a previsão é que os Estados Unidos continuem com a taxa de 25% inicialmente e encaminhem qualquer possibilidade de renegociação para após as eleições presidenciais no Brasil. Mesmo assim, a deliberação agendada para julho não resolverá por completo a questão.

A análise indica que a execução real das ações demandará vários meses, e que o momento crucial das discussões deve acontecer somente a partir de outubro, quando se espera ter uma visão mais clara da situação política em ambas as nações. (Foto: Reprodução)

Por Opinião em Pauta com informações da Reuters

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