Henrique Acker – É sabido que o futebol mudou muito nas últimas décadas. A preparação física e o acompanhamento da saúde dos jogadores melhoraram sensivelmente. Do lado de fora dos gramados, muitos empresários, patrocinadores, bets e poucos desportistas.
O torcedor é obrigado a acompanhar os jogos pela TV em casa ou em bares, devido aos preços caros dos ingressos e pela transformação dos estádios em “arenas” menores. A mídia e os influenciadores esportivos se esforçam em incensar como craques jogadores apenas medianos.
É verdade que as táticas deram uma dinâmica mais coletiva ao futebol, ocupando os espaços do campo e nivelando o jogo por baixo. Mas isso não impede o surgimento de grandes craques, só desafia a desenvoltura dos jogadores mais habilidosos.
No Brasil, o futebol mudou para pior. Passamos a exportar garotos – cafetinados por empresários – antes mesmos deles brilharem em algum clube brasileiro.
Atualmente, nossos jogadores de maior destaque são goleiros, defensores e cabeças-de-área, o que é sintomático. Não temos mais craques de meio-campo, que pensam e articulam o jogo. Restam poucos atacantes dribladores e goleadores.
A última grande seleção da CBF foi a de 1982, desclassificada pela Itália do Bambino D´oro, Paolo Rossi. O último grande craque que o Brasil teve foi Ronaldinho Gaúcho, que brilhou na Europa e venceu a Copa de 2002 junto com Ronaldo e Rivaldo, pendurando a chuteira no início de 2018.
Rolando macio
Assisti estupefato à entrevista coletiva de Carlo Ancelotti depois da eliminação frente à Noruega. Como sempre, a imprensa esportiva não tocou nas feridas e o treinador falou o que quis, sem ser sequer espremido diante das evidências do fracasso de seu trabalho de um ano a frente da seleção.
Em função de mais um vexame da seleção da CBF e da conivência da maioria da imprensa esportiva, cabem algumas perguntas óbvias que deveriam ser apresentadas à direção da CBF e ao treinador:
Perguntas à Confederação Brasileira de Futebol (CBF)
. Qual o balanço do trabalho de um treinador que teve um ano para montar a seleção brasileira e sai da Copa nas oitavas de final, tendo derrotado Haiti (85º no ranking da FIFA), Escócia (42º no ranking da FIFA) e Japão (18º no ranking da FIFA), empatado com Marrocos (6º no ranking da FIFA) e perdido para a Noruega (31º no ranking da FIFA)?
. A lista de convocados para esta Copa foi de responsabilidade exclusiva do treinador?
. Qual a razão para a convocação de um jogador sem condições físicas plenas para atuar?
. O que levou o futebol brasileiro a carecer de jogadores criativos de meio-campo, bons laterais e nem batedores de falta?
. Por que renovar o contrato com um treinador até 2030 antes de um teste definitivo, que seria justamente o desempenho da seleção na Copa de 2026?
. O contrato com Ancelotti será mantido até 2030, apesar do desempenho medíocre da seleção?
Perguntas ao treinador
. Qual o critério para convocar um jogador que sequer estava em condições de jogo para uma Copa do Mundo?
. Por que convocou Casemiro, um jogador sabidamente sem condições de físicas plenas, dispensado pelo Manchester United e que vai acabar sua carreira num clube dos EUA?
. Por que convocar um volante para a vaga de um lateral contundido às vésperas de uma Copa do Mundo?
. Qual o critério para convocar Igor Thiago – que jamais atuou durante as eliminatórias – e não chamar Pedro e Igor Jesus?
. Por que a seleção da CBF jogou com apenas um ponta ofensivo pela esquerda durante os cinco jogos, no caso Vinícius Junior? Isso não facilitou a marcação dos adversários?
. Por que Rayan foi titular na ponta direita em quatro jogos desta Copa, se não foi praticamente uma vez à linha de fundo e não marcou sequer um gol?
. Por que Luiz Henrique praticamente não foi aproveitado em cinco jogos nesta Copa? (Foto: Reuters)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista)


