Parada em SP resgata memória da luta pelos direitos LGBTQIA+

O evento, reconhecido como um dos mais significativos globalmente, abordou como tema a marginalização e a ausência de políticas públicas voltadas para a população LGBT com mais de 60 anos.

 

 

A 29ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ em São Paulo, que reuniu uma multidão na Avenida Paulista neste domingo e é reconhecida como uma das mais grandiosas do planeta, teve como tema a situação das pessoas idosas. Envelhecer LGBT+: Memória, Resistência e Futuro foi a proposta central. Muitas histórias de perseguição policial, discriminação etária e abandono são frequentes entre membros da comunidade com mais de 60 anos.

A seleção deste tópico, conforme afirmam os organizadores, teve como finalidade abordar temas como a exclusão e a carência de políticas públicas voltadas para esse grupo. Além disso, o evento também serviu para homenagear aqueles que lutaram pelos direitos da comunidade LGBTQIA+ ao longo dos anos.

Matheus Emílio, responsável pela Parada LGBT+ de São Paulo, afirmou que o evento é “fundamental e imediato” e ressaltou que existem “perigos de retrocesso” nesse setor no país.

 

Temos observado com frequência, e com tristeza, que muitas pessoas LGBTs estão envelhecendo e retornando ao armário, além de suas identidades de gênero estarem sendo desrespeitadas. É essencial abordarmos essa questão, não apenas como uma questão de políticas públicas, mas também como uma sociedade, para garantir o respeito a essas pessoas e suas vivênciasafirmou.

Atualmente, aos 76 anos e orgulhosamente ostentando a faixa de Embaixadora Trans da Parada, Lili Vargas recorda os momentos em que assumir sua identidade tinha um alto preço: durante o período da ditadura militar, viveu longas temporadas se esquivando das autoridades e enfrentou a hostilidade de indivíduos nas ruas.

 

Nós éramos perseguidos como bichos, vistos como uma anomalia da natureza. Naquele tempo, não existiam as definições de trans e travestis; apenas se falava em gays, lésbicas e seus apoiadores. Sofríamos agressões tanto da sociedade quanto da Polícia. Portanto, é um grande passo e motivo de orgulho alcançar esta fase da vida e continuar lutandoafirma ela.

 

 

Leques são a atração

A parada teve seu ponto de partida na Avenida Paulista e seguiu pela Rua da Consolação rumo ao Centro de São Paulo. Por volta das 16h, os primeiros trios elétricos, eram um total de 17, começaram a se dispersar nas proximidades da Praça Roosevelt. Apesar da grande quantidade de pessoas presentes, não houve registros de incidentes ou desordens ao longo do trajeto.

Os leques nas cores do arco-íris novamente se destacaram como um dos itens mais populares entre os participantes. Esses leques representam um emblema de resistência e inclusão para a comunidade LGBT+. Juntamente com as bandeiras coloridas, muitas pessoas também exibiram bandeiras do Brasil, buscando redefinir seu significado: nas falas e manifestações, ecoava a mensagem de que o país pertence também à comunidade LGBTQIA+ e que não haverá aceitação de retrocessos.

O evento contou com pronunciamentos carregados de viés político e críticas direcionadas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que neste sábado lançou ataques contra as instalações nucleares do Irã. Muitos participantes fizeram apelos pelo encerramento da escala 6×1. Vários políticos de orientações esquerdistas, incluindo representantes do PT e PSOL, predominantemente vereadores da cidade e deputados estaduais, se manifestaram.

Após a conclusão da sequência de falas, liderada pela drag Queen Silvetty Montilla, todos os presentes entoaram o hino nacional com entusiasmo. Os trios elétricos que proporcionam animação aos participantes iniciaram seu percurso rumo à Consolação pouco depois das 13h.

O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania forneceu leques e adesivos com a mensagem “O Brasil é de todas as cores em uma ação voltada para promover o Disque 100, um serviço que recebe relatos de abusos de direitos humanos, discriminação e agressão. Além disso, há grupos empunhando bandeiras contra a fórmula 6×1.  (Foto: Reuters)

Por Opinião em Pauta com informações de O Globo

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