ONU: Lula defende menos guerras, mais democracia, meio ambiente, combate à fome e soberania

No discurso que abriu a 80ª Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, o presidente Lula defendeu a ampliação do Conselho de Segurança da ONU, a refundação da Organização Mundial do Comércio, o compromisso com o meio ambiente, a regulação do ambiente virtual e uma governança multilateral da Inteligência Artificial.

O presidente brasileiro foi interrompido com aplausos em três oportunidades. Na primeira vez, quando afirmou que “nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis”, referindo-se às tarifas impostas pelo governo dos EUA a produtos brasileiros e as retaliações contra o Poder Judiciário brasileiro.

Lula também foi muito aplaudido ao afirmar ser “inaceitável que Cuba seja listado como país que patrocina terrorismo” e quando declarou que “nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza”.

O povo palestino corre o risco de desaparecer, alertou o governante brasileiro. “Só sobreviverá com um Estado independente e integrado à comunidade internacional. Esta é a solução defendida por mais de 150 membros da ONU, reafirmada ontem, aqui neste mesmo plenário, mas obstruída por um único veto.”

“A democracia perde quando se culpa imigrantes pelas mazelas do mundo”, disse Lula, lembrando que há 670 milhões de famintos e 2,3 bilhões de pessoas ainda vivem em insegurança alimentar no Planeta.

Segundo Lula, a comunidade internacional precisa rever suas prioridades, aliviar o serviço da dívida externa dos países mais pobres, investir menos em guerras e definir padrões mínimos de tributação global, para que os super-ricos paguem mais impostos que os trabalhadores.

O presidente do Brasil também chamou a atenção para as plataformas digitais, que “tem sido usadas para disseminar ódio e desinformação”, disse Lula.

Lula defendeu ainda a criação de um conselho vinculado diretamente à Assembléia Geral, para auxiliar a ONU nas questões ambientais. Ele reforçou a importância da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP) no Brasil, em novembro deste ano, quando será o momento de os líderes mundiais provarem seu compromisso com o Planeta. “É chegado o momento de passar da negociação para a ação”, concluiu.  (Foto: Reprodução)

 

Por Henrique Acker (jornalista e colunista)

Relacionados

plugins premium WordPress