O encanto entre o céu de Junho e o chão da nossa infância

(*)  Bia Cardoso –  É junho outra vez. E as noites se vestem de lembrança, feito aquele vestido de chita que minha sogra  , dona Creusa Salame , costurava com tanto entusiasmo , carinho. O céu, colorido por bandeirolas  e balões , testemunharam tantos segredos antigos, guardados entre rezas, promessas e fitas coloridas. Quantas juras e laços se formavam ao pular a fogueira.

No arraial ou em casa.

O cheiro de milho cozido, a canjica, bolo de fubá e a batata doce assando na fogueira erguida na pista de cada casa .

 

 

Foi nessa cidade de Marabá, no Pará,  que eu cresci . Na mistura do riso das crianças correndo com bombinhas na mão, se divertindo com o susto que o estampido causava . Era como se o tempo não tivesse pressa de passar. A vida era como dançar  uma quadrilha serena , com passos inocentes  com o calor de um abraço em noites de quermesse.

 

 

Hoje, a sanfona  chora baixinho ao longe, tem som eletrônico. O bumba -meu-boi não é mais levado para a matança no arraial, lembram?  O motivo é hilário: realizar o desejo de uma grávida que desejou comer a língua do boi. Escrevo sem saber se é saudade. Mas sei que, em algum lugar entre as estrelas, os balões estão dançando na Noite da tradição , com o mesmo encanto leve, entre o céu de junho e o chão da nossa infância. (Foto: Reprodução)

 

(*)   – Jornalista prestando assessoria parlamentar em Brasília.

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