Nosso drama diário com senhas

Rodrigo Vargas  –  Outro dia, ao observar uma colega vociferar contra seu computador ao não lembrar da senha, parei para pensar: se somar todas as senhas que já criei na vida, deve dar para escrever uma Bíblia inteira, com sobras para a segunda edição. O curioso é que a gente nunca esquece o CPF, nem o nome da primeira professora, mas a senha do aplicativo do banco… essa parece ter vida própria. Será que esquecemos mesmo???

E não adianta o sistema sugerir combinações “fortes”. Senha com letra maiúscula, minúscula, número, caractere especial e talvez até um hieróglifo egípcio. Aí você cria: R0dr!g0@2025*. Perfeita. Só que, na semana seguinte, ao tentar logar, o aplicativo informa: senha incorreta. Como incorreta, se fui eu mesmo quem inventou? Será que existe um duende digital colecionando e modificando senhas alheias e rindo da nossa cara?

Quando não é a senha, é o tal reconhecimento facial. Tem dia que o aplicativo me olha e diz: não reconheço você. Ora, mas sou eu! O mesmo rosto, as mesmas olheiras o mesmo cabelo branco de tanto sofrer com senhas, só com menos paciência. Basta estar num ambiente com pouca luz que o celular decide que virei outra pessoa. Já aconteceu de o banco não me aceitar, mas o aplicativo de delivery abrir na mesma hora, como se dissesse: pra pedir pizza você pode, pra transferir dinheiro, não.

E aí vem o dilema supremo: esqueceu a senha? O app manda cadastrar uma nova. Mas, para isso, exige reconhecimento facial. O mesmo que já tinha se recusado a me reconhecer dois minutos antes. É como se o sistema dissesse: você só pode recuperar sua senha se provar que é você… mas eu continuo achando que não é. Nesse ponto, já não sei se rio, se choro ou se mando uma carta escrita à mão pedindo liberação.

No fundo, a gente se torna refém dessas batalhas tecnológicas: lutando contra as “abençoadas” senhas que esquecemos e expressões faciais que não convencem nem a máquina. E fico pensando: se um dia inventarem um aplicativo que reconheça a nossa cara de desespero quando tentamos lembrar a senha… aí sim, estaremos salvos, ou não.

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