-“Não vou usar cargo para proteger”, diz Lula sobre o filho Lulinha

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, popularmente chamado de Lulinha, não gozarão de nenhuma vantagem em caso de ser imputado pela Polícia Federal na investigação que investiga fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

“Se meu filho enfrentar acusações de qualquer tipo, será tratado como qualquer outra pessoa. Isso é o justo. Não haverá favoritismo. Nunca solicitarei a um delegado ou a um juiz que não sigam o devido processo. Se ele estiver inocente, contará com meu apoio”, afirmou o líder durante uma conversa no podcast Inteligência Ltda.

O presidente afirmou ter plena confiança em seu filho e que Lulinha “promete diariamente” não ter ligação com o escândalo do INSS. De acordo com Lula, a experiência de conviver em casa durante o tempo em que esteve condenado pela Operação Lava-Jato lhe conferiu o direito de “não cometer erros”.

“Se ele cometer um erro, ele está ciente do que eu enfrentei. Ele compartilhou comigo o que passei em minha casa. Ele entende a dor de um pai, com cinco filhos, ao ver a televisão rotulando sua família de ladrões constantemente. Ele sabe que a morte da minha esposa foi resultado da tragédia da Lava Jato. Ele tem plena consciência disso. Portanto, não pode se dar ao luxo de errar. Ele sabe disso. Ele me garante todos os dias. E eu confio nele”, afirmou.

Conforme mencionado pelo presidente, Lulinha encontra-se fora do Brasil, porém, caso enfrente acusações, ele voltará ao país e “não ficará em evasão”.

“Se for chamado a prestar contas, ele virá aqui. Não irá se ocultar, de jeito nenhum. Não irei usar minha posição para salvá-lo. Ele virá. E terá que demonstrar sua inocência. É meu filho. Ele terá que provar. E, se for culpado, enfrentará as consequências que qualquer pessoa deve enfrentar ao cometer um erro”, afirmou o chefe de governo.

De acordo com Lula, essa não é a primeira vez que seu filho é empregado como uma maneira de atacá-lo. Contudo, o presidente ressaltou que, em todas as situações passadas, as alegações não se mostraram verídicas.

“Meu filho, desde 2006, tem sido um alvo nas críticas. Aqueles que desejam me atacar frequentemente começam por ele. Já escutei diversas narrativas (…) Ele é proprietário disso, proprietário daquilo. Dizem que possuía todos os gados da Friboi, da JBS e até um carro feito de ouro.”

Hoje, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, deu aval para que a Polícia Federal inicie uma investigação sobre Lulinha, sob a suspeita de tráfico de influência e corrupção. A equipe policial está interessada em verificar se ele agiu de maneira inadequada junto ao Ministério da Saúde durante o trâmite de autorização para a venda de cannabis medicinal.

A solicitação ocorreu no dia 24 do mês passado e foi encaminhada a Mendonça, que é o responsável por relatar o inquérito a respeito de irregularidades no INSS.

Entenda a fraude no INSS

A apuração, iniciada em 2020 pela Polícia Civil do Distrito Federal, sobre irregularidades nos descontos de aposentadorias do INSS, teve como base a colaboração de um funcionário de alto escalão da instituição e de um empresário que revelou a existência de uma “indústria de assinaturas fraudulentas”.

O ex-diretor de Benefícios da instituição, setor encarregado das negociações com as associações, participou da apuração, focando especialmente no significativo crescimento do total de membros da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil (Conafer).

Em seu testemunho, o diretor declarou que as deduções eram de 2%. Ao todo, as instituições teriam exigido dos aposentados e pensionistas uma quantia aproximada de R$ 6,3 bilhões no período de 2019 a 2024.

Um relatório da Polícia Federal indicou que Roberta Luchsinger poderia ser a alegada intermediária entre Antonio Camilo Antunes, chamado de “Careca do INSS”, e Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, que seria um parceiro oculto de Antunes. (Foto: Reprodução)

Por Opinião em Pauta com informações da CNN Brasil

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