O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) proferiu um discurso na Assembleia Geral da ONU, direcionando mensagens a Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos. O líder petista ainda ressaltou que os ataques ao sistema judiciário brasileiro são “inadmissíveis” e criticou os “falsos patriotas”, além de se opor à ideia de conceder anistia a aqueles que ameaçam a democracia.
Ele afirmou também que a democracia e a soberania do Brasil são “inabaláveis“. Além disso, ressaltou que o país enviou uma sinalização ao planeta ao condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro por sua tentativa de golpe.
Durante sua fala, Lula também apoiou a necessidade de regulamentação das redes sociais e ressaltou que “nenhum motivo justifica o genocídio em Gaza”. O ex-presidente ainda destacou a questão das mudanças climáticas e fez um convite aos líderes presentes na assembleia para que participem da COP30, que ocorrerá em Belém (PA).
O Brasil, sob a liderança do presidente Lula, é historicamente encarregado de fazer o discurso inaugural do fórum de líderes da ONU, agora em sua 80ª edição, realizada em Nova York.
A declaração de Lula se dá no dia posterior à mais recente série de sanções do governo dos Estados Unidos direcionadas a brasileiros, em resposta à sentença contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Com as altas tarifas estabelecidas pelos EUA, a relação entre Brasil e Estados Unidos enfrenta um de seus piores períodos nas últimas décadas.
“Apesar de enfrentar um ataque sem igual, o Brasil decidiu resistir e proteger a democracia que seu povo reconquistou há 40 anos, após duas décadas de regimes autoritários“, afirmou Lula.
“Não existem razões válidas para as ações unilaterais e autoritárias contra nossas instituições e nossa economia. A ofensa à autonomia do Judiciário é inaceitável. Essa intervenção em questões internas é apoiada por uma extrema-direita subserviente, que anseia pelas antigas hegemonias”, afirmou o membro do partido.
O membro do Partido dos Trabalhadores também declarou que “falsos patriotas planejam e divulgam ações contra o país“. Ele acrescentou: “Não se pode ter pacificação sem punição“.
“À vista do mundo, o Brasil enviou uma mensagem clara a todos os aspirantes a autocratas e seus apoiadores: nossa democracia e nossa independência são intransigentes“, declarou Lula.
Sanções norte-americanas
Lula iniciou seu discurso tecendo críticas à abordagem de política externa e tarifas implementada durante a gestão de Trump, sem mencionar diretamente os Estados Unidos.
“Estamos presenciando o fortalecimento de uma desordem global caracterizada por contínuas cedências à política de dominação. Violações da soberania, imposições de sanções injustas e intervenções unilaterais estão se tornando comuns“, afirmou.
“Há uma clara correlação entre a crise do multilateralismo e a deterioração da democracia”, observou.
Lula e Trump têm se criticado mutuamente nos últimos meses, especialmente após os Estados Unidos imporem uma tarifa de 50% sobre produtos do Brasil, alegando que essa medida visa pôr fim a uma “perseguição” ao ex-presidente Bolsonaro.
Trump fez uma tentativa, infrutífera, de influenciar o veredicto do ex-presidente, que foi sentenciado a 27 anos e três meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentar realizar um golpe.
Nos seus pronunciamentos internos, Lula tem apontado críticas ao governo dos Estados Unidos pelo desrespeito à soberania do país e, após a decisão judicial, tem enfatizado a autonomia do STF.
A fala desta terça-feira (23) acontece um dia após o governo Trump divulgar a anulação do visto dos Estados Unidos do advogado-geral da União, Jorge Messias, além da penalização financeira, conforme a lei Magnitsky, imposta à Viviane Barci de Moraes, que é esposa do ministro do Supremo Alexandre de Moraes.
Com a aprovação da medida, todos os bens que Viviane possui nos Estados Unidos estão congelados, assim como qualquer empresa associada a ela.
As autoridades dos Estados Unidos já haviam adotado uma medida semelhante em relação a Alexandre de Moraes no mês de julho. Tanto o ministro quanto sua esposa estão impedidos de efetuar negócios com indivíduos e companhias norte-americanas, como a utilização de cartões de crédito emitidos por instituições americanas, por exemplo. (Foto: Reuters)
Por Opinião em Pauta com informações do G1



