Henrique Acker – O Brasil conseguiu reduzir as mortes por violência intencional em 2025, mas os casos de óbitos provocados por violência policial e contra a mulher, além das agressões a menores, crimes de ódio e o número de golpes cresceram no ano passado. As conclusões estão no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado em 23 de julho.
O levantamento anual é produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e se baseia em informações fornecidas pelas secretarias de segurança estaduais, pelas polícias civis, militares e federal, entre outras fontes oficiais.
Mais verbas
O aumento dos investimentos de estados, municípios e do governo federal em Segurança Pública – R$ 163 bilhões em 2025 (mais 2,1% que em 2024), certamente teve efeito sobre a redução do número de mortes violentas intencionais no país.
Em 2025 foram 40.775 vítimas, uma queda de 8,2% em relação a 2024. O número de policiais motos também foi reduzido de 2024 para 2025: 139 casos (-3,5%).
Os registros dos diversos tipos de roubos – veículos (-20,6%), transeuntes (-23,4%), estabelecimentos comerciais (-18,3%), bancos (-35,5%), celulares (-18,6%), residências (-19,9%) e de carga (-19,8%) – sofreram redução significativa em 2025, se comparados com os dados do ano anterior.
Mais chacinas policiais
Na contramão dos dados positivos, o número de mortes provocadas por intervenções policiais cresceu 5,4% em 2025 sobre o ano anterior. Foram 18 pessoas mortas por dia pelas polícias em todo o país, um total de 6.602 vítimas fatais, o que representa uma de cada seis mortes violentas registradas. Os estados com maior violência policial são Amapá, Bahia e Sergipe.
O relatório anual do Instituto Fogo Cruzado, lançado em fevereiro de 2026 com números de 2025, já apontava um crescimento significativo de mortes por ações policiais, sobretudo em favelas e periferias do país.
O Instituto Fogo Cruzado registrou 62 chacinas policiais – episódios em que três ou mais civis são mortos durante uma ação policial -, um crescimento de 24% em relação ao ano anterior. Já os mortos em chacinas dispararam 101%: foram 346 em 2025, contra 172 em 2024.
Feminicídio, racismo e agressões a crianças

Outro dado preocupante é o avanço do assassinato de mulheres, que cresceu 4%. Destes, 96% foram cometidos por homens (60,9% seus parceiros íntimos e 18,9% ex-parceiros). Chama também a atenção que 62% desses crimes ocorreram dentro das residências das vítimas.
A violência contra as crianças também é mais um dado alarmante e vem crescendo desde 2021. Em 2025 foram realizados 38.986 registros de agressões contra menores, 59% deles com idades de 0 a 9 anos.
Os crimes de ódio e homofobia também tiveram crescimento significativo em 2025. Foram registradas 5.452 vítimas agredidas por homofobia (+7,3% que em 2024), além de 30.743 casos de racismo (+13%) e 21.443 de injúria racial (+9,2%).
Crescem os golpes digitais

O número de golpes e estelionatos foi outra modalidade que aumentou: 2.651.055 ocorrências, um crescimento de 2,7% comparado a 2024. Em média foram 258 golpes por hora ou 4 por minuto no país em 2025.
Esses dados vêm crescendo ano a ano com a intensificação do uso da internet. O aumento dos golpes digitais em 2025 foi de 20,6%, com mais de 346 mil casos registrados.
Os mais comuns são clonagem ou troca de cartões, golpes pelo Whatsapp, falsa central bancária, PIX, uso de CPF via SMS, sites de leilão e de lojas falsas. Grupos criminosos têm investido na criação de centrais especializadas em iludir o cidadão, através de promessas de bons negócios. (Fotos: Reprodução)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações e ilustrações do Anuário de Segurança Pública 2025, Instituto Fogo Cruzado, G1 e imagem do Poder 360.


