Os representantes do governo autoritário do Uruguai, que esteve em vigor de 1973 a 1985, barraram o acesso de José Pepe Mujica (1935-2025) a livros. Por um período de sete anos, o ex-presidente do Uruguai ficou impossibilitado de ler qualquer obra, independentemente do assunto.
A informação foi ressaltada nesta terça-feira (13) pelo colunista Jamil Chade.
Segundo o jornalista, o ex-presidente passou mais de 14 anos encarcerado devido à sua atuação nos movimentos que se opuseram à ditadura da época.
“Durante sete anos, não consegui tocar em um livro”, revelou o uruguaio em 2014, ano da morte de Gabriel García Márquez. “Eu sonhava com as borboletas de Gabo. Em momentos de solidão extrema, minha mente recorria a essas borboletas”, mencionou, aludindo às obras do autor colombiano.
“Em momentos de solidão intensa, eu buscava dialogar com o homem que habitava em mim, e uma das coisas que surgiam eram as visões de Garcia Márquez”, afirmou.
Gerardo Caetano, o historiador, salientou que os guardas prisionais, ao perceberem que se tratava de um indivíduo altamente educado, decidiram restringir o acesso aos livros. “Essa ação quase fez Mujica perder a sanidade“, comentou.
Durante extensos intervalos, ele permaneceu totalmente isolado, sem poder se comunicar com outras pessoas. Em algumas ocasiões, ele mencionou que conversava com os bichos para não perder a sanidade.
As circunstâncias que enfrentou na prisão influenciaram seu estilo de vida e sua perspectiva sobre a realidade. No entanto, não foi o desejo de revanche que definiu suas emoções ao sair da detenção extensa. Sua reação foi um empenho em prol da democracia. (Foto: Reuters)


