A possibilidade de ampliar a participação das Forças Armadas no combate ao crime organizado em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) está no radar da cúpula do Exército. Ao mesmo tempo, generais demonstram preocupação com a hipótese de uma presença militar permanente dos Estados Unidos em território brasileiro, vista como potencial ameaça à soberania nacional.
Segundo informações da coluna do jornalista Cézar Feitoza, do UOL, cinco oficiais-generais ouvidos pela reportagem afirmaram que a cúpula militar trabalha com diferentes cenários para uma eventual vitória do senador na disputa presidencial. As análises consideram tanto as propostas de segurança pública de Flávio Bolsonaro quanto a política do governo de Donald Trump para a América do Sul.
Exército discute reforço no combate às facções
O emprego das Forças Armadas no enfrentamento às organizações criminosas é debatido há cerca de dois anos entre integrantes do Alto Comando do Exército. O comandante da Força, general Tomás Paiva, está entre os defensores de uma cooperação mais estreita com os órgãos de segurança pública.
A proposta prevê, sobretudo, o compartilhamento de informações de inteligência e a disponibilização de equipamentos militares para apoiar as operações policiais.
Essa colaboração, porém, não implica necessariamente colocar soldados nas ruas. Parte dos generais entende que o combate direto às facções deve continuar sob a responsabilidade das instituições de segurança pública, com as Forças Armadas exercendo um papel complementar.
Cooperação com os EUA divide avaliações
Outro ponto sensível nas análises militares é a possibilidade de participação dos Estados Unidos em operações contra o narcotráfico no Brasil. Nesse contexto, os generais trabalham com dois cenários distintos.
O primeiro prevê operações conjuntas na faixa de fronteira, com o Exército brasileiro mantendo o comando das ações e os militares norte-americanos oferecendo apoio operacional.
Segundo os relatos publicados pelo UOL, a maioria dos oficiais consultados não vê obstáculos significativos nesse modelo de cooperação, semelhante ao adotado em exercícios militares conjuntos realizados regularmente entre os dois países.
O segundo cenário, contudo, desperta maior apreensão: a instalação de uma base militar norte-americana em território brasileiro. A hipótese é relacionada pelos oficiais a discussões semelhantes envolvendo a Colômbia.
Para integrantes da cúpula do Exército, uma estrutura militar permanente dos Estados Unidos no Brasil poderia limitar a autonomia estratégica nacional e abrir espaço para questionamentos sobre o controle brasileiro de seu próprio território.
A preocupação, entretanto, não significa que exista uma decisão ou proposta confirmada de instalação de uma base militar norte-americana no país. Trata-se de uma possibilidade considerada nas avaliações dos generais diante de eventuais mudanças na política de segurança e nas relações entre Brasília e Washington sob um eventual governo Flávio Bolsonaro. (Foto: Reprodução)
Por Opinião em Pauta com informações do UOL



