Os manifestos intitulados “No Kings” (“Sem Reis“) tiveram início neste sábado (18) nos Estados Unidos e em várias outras nações. Essas manifestações representam uma mobilização coletiva contra as políticas implementadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, nas áreas de imigração, educação e segurança, que, de acordo com os organizadores, estão conduzindo a nação rumo a uma autocracia.
Os protestos — tanto os de grande como os de pequeno porte, nas áreas urbanas e periféricas dos Estados Unidos — acontecem em continuidade aos grandes encontros de junho e expressam a indignação dos que se opõem a uma política que Trump implementou com uma rapidez incomum desde que tomou posse em janeiro.
As ocorrências deste sábado (18) tiveram início fora dos Estados Unidos, onde várias centenas de pessoas se congregaram em frente à embaixada americana em Londres, enquanto um grupo semelhante se manifestava em Madri e Barcelona.
Em Virginia do Norte, numerosos manifestantes percorriam viadutos que atravessavam as estradas em direção a Washington, DC. Centenas de indivíduos se congregaram na área próxima ao Cemitério Nacional de Arlington, nas proximidades do local onde Trump está pensando em erguer um arco na ponte do Lincoln Memorial.
Desde que Trump tomou posse há dez meses, sua administração aumentou a supervisão da imigração, optou por reduzir o efetivo do serviço público e diminuiu os recursos destinados a instituições de ensino superior renomadas, em resposta a fatores como manifestações a favor da Palestina relacionadas à guerra em Gaza, diversidade nas universidades e políticas referentes a gênero.
Habitantes de certas metrópoles assistiram à chegada de contingentes da Guarda Nacional, enviados pelo presidente, que justifica a medida como essencial para resguardar os funcionários da imigração e auxiliar no enfrentamento da criminalidade.
“Não existe nada que represente mais os Estados Unidos do que afirmar ‘não temos monarcas‘ e exercer nosso direito de manifestar pacificamente”, afirmou Leah Greenberg, uma das fundadoras da Indivisible, uma entidade progressista que lidera as marchas No Kings.
Trump fez poucos comentários sobre os protestos do último sábado. No entanto, durante uma entrevista à Fox Business, veiculada na sexta-feira (17), ele declarou: “eles estão me chamando de rei — eu não sou um rei”.
Mais de 300 grupos locais colaboraram na organização das manifestações, conforme mencionado por Greenberg. A Associação Americana de Liberdades Civis (ACLU) informou que proporcionou capacitação jurídica a milhares de indivíduos que atuarão como observadores nas várias marchas, e esses participantes também receberam instruções sobre técnicas de desescalonamento. Divulgação e detalhes acerca do No Kings foram compartilhados nas plataformas sociais para incentivar a adesão.
O senador Bernie Sanders, que se identifica como progressista independente, e a congressista Alexandria Ocasio-Cortez, representante do progressismo no Partido Democrata, demonstraram seu apoio às manifestações, juntamente com Hillary Clinton, ex-secretária de Estado que foi derrotada por Trump nas eleições presidenciais de 2016. Vários famosos também manifestaram seu apoio ao movimento.
“Estamos diante de um risco no nosso país quando um presidente sugere a possibilidade de prender ou encarcerar aqueles que se opõem a ele,” afirmou, referindo-se à procuradora-geral de Nova York e ao governador da Califórnia.
Sanders destacou uma variedade de riscos que percebe, entre eles as ações judiciais de Trump contra veículos de comunicação e a pressão exercida sobre a imprensa, a campanha contra as instituições acadêmicas e as ameaças de remover juízes cujas decisões não estão alinhadas com suas interesses.
No mês de junho, ocorreram mais de 2.000 manifestações contra os reis, sendo que a maioria delas foi pacífica. Essas manifestações coincidiram com a data em que Trump celebrou seu 79º aniversário e promoveu um desfile militar na cidade de Washington.
Republicanos criticam atos
Na sexta-feira (17), o presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Mike Johnson, um membro do Partido Republicano, reiterou uma ideia frequentemente expressa por seus colegas republicanos em relação aos protestos No Kings.
“Amanhã, os dirigentes democratas se encontrarão para um grande evento no National Mall”, afirmou Johnson durante uma coletiva de imprensa. “Eles se deslocarão até o nosso Capitólio para o muito esperado comício No Kings. Preferimos chamá-lo por sua definição mais exata: o comício de aversão à América.”
Vários republicanos manifestaram suas críticas aos democratas e a manifestações como a No Kings, acusando-as de incitar a violência política, especialmente após o homicídio do ativista político Charlie Kirk em setembro, que era um aliado próximo de Trump e uma figura de destaque em sua administração.
Dana Fisher, docente na Universidade Americana em Washington, DC, e escritora de diversas obras sobre ativismo nos Estados Unidos, anteviu um recorde de participação nos protestos na era contemporânea do país. Ela estimava que mais de 3 milhões de indivíduos estivessem presentes, fundamentando-se nas inscrições e na adesão observadas nos eventos de junho.
“O principal propósito deste dia de mobilização é fomentar um sentimento de identidade comum entre aqueles que se sentem ameaçados ou inseguros em razão do governo Trump e suas diretrizes,” afirmou Fisher. “Isso não alterará as políticas de Trump, mas pode incentivar representantes eleitos em diversas esferas que são contrários a ele.” (Foto: Reuters)
Por Opinião em Pauta com informações da CNN


