O presidente Lula declarou em entrevista coletiva concedida em Roma nesta segunda-feira, 13 de outubro, que “O Brasil não tem problema com Israel, o Brasil tem problema é com Netanyahu”.
Lula ressaltou que “A hora que Netanyahu não for mais governo, não haverá nenhum problema entre o Brasil e Israel, que sempre tiveram uma relação muito boa”.
Com seu otimismo habitual, Lula demonstrou esperança no cessar-fogo em Gaza e com a troca de prisioneiros entre o Hamas e Israel. “Eu não sei se é definitivo ou não, mas eu estou feliz porque é um começo muito promissor”, declarou.
Ele elogiou a iniciativa do presidente Trump. “Eu espero que aqueles que ajudaram Israel na sua posição de virulência agora ajudem a ter uma paz definitiva”, declarou o presidente brasileiro.
Com o Papa e na FAO
O encontro com a imprensa ocorreu após a visita ao Vaticano, em que o Presidente foi recebido pelo Papa Leão XIV, juntamente com a primeira-dama Janja.
Lula parabenizou o pontífice pela liderança na Igreja Católica e aproveitou a ocasião para convidá-lo a participar da COP 30, que será realizada em novembro, no Pará. “O Papa nos disse que não poderá participar, mas garantiu representação do Vaticano em Belém”.
O presidente brasileiro participa ainda hoje do Fórum Mundial para a Alimentação, promovido pela FAO, órgão da ONU para a alimentação e a agricultura. Lula segue em Roma até o final do dia e viaja de volta ao Brasil ainda nesta segunda-feira.

Repercussão no Brasil
Em nota, a Federação Israelita do Estado de São Paulo(Fisesp) comemorou a libertação dos reféns.
“A Fisesp recebe com profunda emoção e imenso alívio a notícia de que, após 738 dias de dor, angústia e incerteza, todos os reféns vivos sequestrados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 estão finalmente de voltaem casa”, diz a nota.
Para Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), os palestinos precisam parar de ser exterminados. “O cessar-fogo é o primeiro momento para qualquer discussão, para qualquer saída futura e duradoura, de preferência”.
Rabah disse que o cessar-fogo é para ser celebrado, mas alertou que é necessária uma força de paz internacional bélica que garanta a segurança do povo palestino.
“Sem isso, não teremos garantia de que, após uma mera troca de prisioneiros, não haja um novo bloqueio de Gaza, que continue a ocupação da Faixa de Gaza, que continue a ocupação da Cisjordânia”, concluiu Ualid Rabah.
Destruição por toda parte
Autoridades palestinas disseram no sábado que, nos últimos dias, cerca de 500 mil pessoas retornaram ao norte da Faixa de Gaza, devastado, após a retirada das tropas israelenses.
Em vídeos que circulam pelas redes sociais, é possível acompanhar o drama e a decepção dos que retornam. Num deles um homem diz: “Esta é a última área que podemos acessar. O exército israelense ainda está perto. Veja a escala da destruição, eles arrasaram tudo.”
Alaa Saleh, um professor que fugiu com sua família para KhanYounis há três semanas, disse à BBC de Londres: “Só queremos reconstruir. Estamos cansados de viver em tendas que não nos protegem do calor do verão, nem do frio do inverno.”
Uma cúpula com mais de 20 líderes mundiais acontece nesta segunda-feira no Egito, com a presença de Donald Trump, para avaliar os desdobramentos do plano de paz.
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações da Agência Brasil de Notícias, BBC News Brasil, Terra e G1 e imagens do G1, carta Capital e CNNBrasil



