O presidente lamentou a “falta de interesse” na carreira. Levantamento mostra que 8 em cada 10 professores da educação básica já pensaram em deixar o magistério. “Ninguém quer mais ser professor. Vamos criar um programa de incentivo para alunos do Enem se tornarem professores”, anunciou Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira (16) que professores ganham uma “merreca” para cuidar de 40 ou 50 crianças em salas de aula e avalia criar um programa de incentivo para jovens se tornarem professores. Segundo o presidente, a profissão vem sendo preterida, justamente, por conta da má remuneração.
A ideia do governo é criar um programa de incentivo para que alunos que prestarem o Enem possam fazer um curso de formação para se tornarem professores. “Essa profissão [de professor] que já foi nobre, está sendo destruída, porque nós descobrimos que ninguém mais quer ser professor”, lamentou Lula, em discurso feito durante o lançamento do Plano Nacional de Abastecimento Alimentar “Alimento no Prato” (Planaab), em Brasília (DF).
Lula afirmou que vai colocar o assunto em sua pauta após retornar de Kazan, na Rússia, onde participa da Cúpula dos Brics, entre os dias 22 e 24 de outubro. “Ontem foi o Dia dos Professores. Lembro que quando aprovamos piso salarial dos professores, muitos governadores não quiseram pagar, dizendo que não tinham dinheiro. E olha que o salário é merreca para alguém que toma conta de 40 ou 50 crianças dentro de uma sala de aula. Se uma mãe ou pai acham é muito tomar conta de um, dois, ou três filhos, imagina uma professora tomar conta de 40 ou 50 crianças na sala de aula”, disse.
Segundo o último levantamento do Ministério da Educação (MEC), feito em 2023, a remuneração média para professores no Brasil com 40 horas semanais de trabalho foi de R$ 4,8 mil na rede municipal e R$ 4,9 na estadual.
Abastecimento alimentar
A declaração foi dada durante a cerimônia do Dia Mundial da Alimentação, no Palácio do Planalto, marcada pelos lançamentos do Plano Nacional de Abastecimento Alimentar (Planab), também conhecido como plano “Alimento no Prato”, e do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo).
Os programas foram anunciados também pelos ministros do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, e do Desenvolvimento Agrário, Paulo Texeira. As medidas somam 29 iniciativas e 92 ações estratégicas. O plano “Alimento no Prato”, por exemplo, é inédito no Brasil.
Entre as medidas, está a ampliação de sacolões populares e centrais de abastecimento por todo o país. De início, serão implantadas novas seis centrais de abastecimento na Bahia, no Ceará, Rio Grande do Norte, em Sergipe e São Paulo (duas). Ao facilitar o acesso a alimentos saudáveis e frescos, o “Alimento no Prato” deve beneficiar produtores e consumidores.
Arroz da gente
“Alimento no Prato” traz, ainda, o Programa Arroz da Gente. O objetivo é estimular a produção e a formação de estoque do grão. Os pequenos e médios produtores que quiserem produzir arroz poderão assinar contratos de opção com o governo, que garantirá a compra da produção com preço já estabelecido. Serão investidos cerca de R$ 1 bilhão nesta iniciativa para a compra de até 500 mil toneladas de arroz.
Planapo
O Planapo, por sua vez, vai reunir ações para fortalecer as cadeias produtivas de produtos orgânicos e agroecológicos. Além disso, o projeto construído com ampla participação da sociedade civil, prevê iniciativas voltadas para pesquisa e inovação, incentivo às compras públicas e inclusão de mulheres, jovens, indígenas e quilombolas na agricultura familiar.
Essas entregas reforçam a iniciativa do país em priorizar a segurança alimentar. Na presidência do G20, o Brasil propôs ao grupo a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)