O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia três alternativas para a Medida Provisória que pretende endurecer as regras sobre as empresas de apostas digitais no Brasil. As opções vão desde novas limitações à publicidade até a proibição completa das apostas pela internet.
A primeira possibilidade prevê ampliar as restrições à propaganda das bets. A segunda vai além: estabelece novas regras para a publicidade e proíbe jogos de cassino online, como o chamado “Jogo do Tigrinho”, que funcionam em uma dinâmica semelhante à das máquinas caça-níqueis.
A terceira alternativa é a mais radical: determinar a proibição imediata de todas as modalidades de apostas digitais no país.
Lula demonstra preferência pela medida mais dura, mas a proposta está longe de ser consenso dentro do Palácio do Planalto e também provoca discussões entre integrantes de sua campanha à reeleição.
Uma das principais preocupações é o impacto eleitoral da decisão, especialmente entre brasileiros que recebem até dois salários mínimos, parcela importante do eleitorado do presidente. Estudos sobre o mercado de apostas têm apontado preocupação particular com o comprometimento da renda das famílias de menor poder aquisitivo.
A área de comunicação do governo apoia uma ofensiva mais ampla contra as apostas digitais. O argumento é que as bets passaram a retirar uma parcela significativa do orçamento das famílias, contribuindo para o endividamento e agravando problemas financeiros.
Dentro do PT, entretanto, há ponderações sobre as consequências econômicas e políticas de uma proibição total. Uma medida dessa dimensão atingiria interesses de setores que movimentam cifras bilionárias, entre eles clubes de futebol e empresas de comunicação que recebem recursos expressivos em publicidade e patrocínios das plataformas de apostas.
A reação do futebol já começou. Clubes e entidades do setor pressionam o governo contra mudanças mais profundas nas regras e alertam para a perda de receitas provenientes dos contratos com as empresas de apostas.
Para reduzir parte desse impacto sobre os clubes, o governo discute uma espécie de “Refis do futebol”. A proposta permitiria o refinanciamento das dívidas das agremiações em condições mais favoráveis, com juros e prazos mais vantajosos do que os encontrados normalmente no mercado.
A decisão final colocará Lula diante de uma escolha com repercussões sociais, econômicas e eleitorais: até onde o governo pretende avançar no enfrentamento a um setor que se tornou uma poderosa fonte de receita para o futebol e a publicidade, mas que também está no centro do debate sobre endividamento e comprometimento da renda das famílias brasileiras. (Foto: Reprodução)
Por Opinião em Pauta usando informações da colunista Daniela Lima, do UOL


