O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou pessoalmente com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre a chance de ele concorrer ao governo de São Paulo nas eleições de outubro. Essa solicitação ocorreu durante um almoço privado na quarta-feira, 14, na Granja do Torto, em Brasília, que se estendeu por aproximadamente três horas, sem a participação de outros convidados.
Segundo reportagens veiculadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, Lula vê a candidatura de Haddad como fundamental para estabelecer uma plataforma sólida do PT no principal colégio eleitoral do Brasil. Para o presidente, o partido não possui, neste momento, outra figura com a relevância eleitoral necessária para enfrentar a competição em São Paulo.
A articulação abrange igualmente o contexto nacional. Na disputa pelo seu quarto mandato, Lula procura consolidar parcerias regionais e, simultaneamente, pavimentar o caminho para a próxima sucessão presidencial. Dentro do Partido dos Trabalhadores, Haddad é considerado o candidato mais forte para assumir essa posição em 2030, o que aumenta o significado de sua participação em uma eleição estadual de alta visibilidade.
Outra questão considerada pelo presidente é a incerteza acerca do futuro político do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos. Segundo a avaliação de Lula, Tarcísio pode decidir entre buscar a reeleição no Palácio dos Bandeirantes ou se lançar como candidato à presidência, o que tornaria a seleção do candidato do PT para o governo estadual ainda mais crucial.
Fernando Haddad anunciou que irá se desligar do Ministério da Fazenda ao final deste mês. De acordo com o próprio ministro, sua intenção é tirar um tempo “sabático” para pensar sobre os rumos de sua carreira política. O nome que Haddad recomendou para sucedê-lo no cargo é o do atual secretário-executivo, Dario Durigan.
As normas eleitorais indicam que aqueles que ocupam funções públicas e desejam se candidatar a cargos eletivos devem se desvincular de suas posições até o começo de abril. No entanto, Haddad tem declarado em discussões recentes que não tem interesse em concorrer nas próximas eleições, incluindo uma possível candidatura ao Senado, expressando sua preferência por se envolver na coordenação de um novo projeto de governo de Lula. (Foto: Ricardo Stuckert)
Por Opinião em Pauta com informações do Estadão



