O presidente Lula (PT) anunciou hoje a substituição de Márcio Macêdo pelo deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) à frente da Secretaria-Geral da Presidência.
Macêdo se encontrou com Lula no final da tarde. Embora não tenha sido revelado o tema discutido, integrantes do governo afirmavam que a conversa preliminar abordava a COP30, marcada para novembro, sendo que o aviso já era aguardado. Em um evento realizado mais cedo no Planalto com grupos sociais, o ministro não compareceu, como costuma ocorrer, estando apenas Boulos presente.
Boulos já foi notificado.
Macêdo, conforme um membro do governo federal, não ocupará uma nova posição na administração pública. Ele planeja se candidatar a deputado federal nas eleições de 2026.
A alteração é considerada desde o último trimestre do ano anterior. Macêdo tem uma relação próxima com Lula e confia no PT, no entanto, havia uma análise de que a atuação com os movimentos sociais, que é a principal função do ministério atualmente, não estava sendo efetiva.
Boulos enfrenta dois grandes desafios. O primeiro é fortalecer os laços com movimentos sociais de grande relevância no país, que estão um pouco fragilizados. O segundo consiste em intensificar a interação com grupos voltados para a juventude.
A análise indica que a administração atual segue a mesma trajetória do PT. O partido reconhece que tem se afastado gradualmente dos jovens e, apesar de Lula contar com o respaldo de alguns segmentos juvenis, o governo admite sua limitada conexão com essa faixa etária — a presença de Boulos e sua equipe no PSOL pode representar uma mudança nesse aspecto.
Macêdo sempre refutou a ideia de que havia discutido o tema anteriormente. “O presidente Lula nunca conversou sobre isso comigo. A vontade do povo concedeu ao presidente a autoridade para realizar mudanças em seu ministério quando achar necessário“, afirmou, ao comentar o assunto pela primeira vez em público, no final de setembro.
As alterações ocorridas neste ano se limitaram ao PT. Das seis alterações ministeriais realizadas desde janeiro no governo, todas as quatro promovidas por iniciativa própria envolveram o partido, sem impactar o centrão, exceto as pastas de Comunicações (União Brasil) e Previdência (PDT), que foram alteradas em razão de escândalos.
Esta é a 13ª alteração governamental. Com essa nova composição, o PSOL assegura sua segunda posição pela primeira vez. A outra posição é ocupada pela ministra Sônia Guajajara, que também é deputada federal eleita por São Paulo. (Foto: Ricardo Stuckert)
Por Opinião em Pauta com informações do UOL



