Em Canaã dos Carajás, no Sudeste do Pará, cresce a insatisfação de proprietários de terras afetadas pelo linhão da Equatorial ao longo da PA-160. O que começou como um processo de indenização virou impasse . Os produtores não apenas contestam os valores oferecidos pela empresa, considerados abaixo da realidade, como apontam impactos diretos nas atividades agropecuárias da região , já que a passagem das torres impõe restrições severas a qualquer operação sob ou próxima ao empreendimento.
Há também o componente de risco: a faixa de segurança do linhão atinge áreas ambientais sensíveis e interfere na dinâmica social de comunidades rurais. O caso de dona Maria das Graças Batista, na VS-44, é emblemático. Em sua propriedade, árvores raras , plantadas há mais de 40 anos como mogno, castanheira, jatobá, andiroba, foram avaliadas pela empresa pela bagatela de R$ 4 mil, valor que não cobre sequer a perda de uma única das espécies ameaçadas.

Os produtores prometem reagir e pressionar por um acordo que considerem minimamente decente. Atrelado ao episódio que expõe o que os fazendeiros consideram negligência ambiental , um ponto é ainda mais sensível: a atuação da mineradora australiana OZ, cuja presença na região tem sido marcada mais pela lógica de exploração sem s devida responsabilidade social relevante.
Ambos os problemas foram debatidos numa reunião realizada na quarta-feira sem que houvesse consenso . Em uma área historicamente marcada por conflitos e desigualdade sociais , a falta de responsabilidade socioambiental não passa despercebida e tende a alimentar mais tensões no campo . (Foto: Reprodução)



