O genocídio palestino não se limita ao bombardeio e morte diária de dezenas de homens, mulheres e crianças em Gaza pelas forças armadas de Israel. Em carta enviada a Organização das Nações Unidas, jornalistas palestinos denunciam “o primeiro genocídio midiático da história da humanidade”, exigindo a responsabilização dos líderes israelenses pelos atos cometidos e o reconhecimento do que ocorreu em Gaza.
Os jornalistas palestinos realizaram uma manifestação nesta quarta-feira (8/10) em frente à sede da ONU, na cidade de Ramallah, na Cisjordânia. Segundo o Sindicato, 252 jornalistas palestinos foram mortos em Gaza desde 7 de outubro, a partir da ofensiva militar das forças armadas de Israel.
Na carta endereçada ao secretário-geral da ONU, António Guterres, o presidente do Sindicato dos Jornalistas Palestinos, Abou Bakr, pede que a ONU tome medidas para proteger os colegas na Faixa de Gaza.
“Estão diariamente sob fogo, sob bombardeios, numa situação extremamente perigosa”, declarou Bakr. Ele lembrou que desde o início da agressão israelense, em 2023, até setembro deste ano, 153 jornalistas foram presos.
Abou Bakr destacou que o exército israelense destruiu mais de 150 escritórios e instituições de mídia em Gaza desde 2023. Na Cisjordânia, a ocupação cometeu mais de 2.000 ataques contra jornalistas palestinos e internacionais.
“Também há dificuldades para os jornalistas na Cisjordânia, com agressões por parte de colonos e pressões exercidas pelo exército israelense”, confirmou à Agência France Presse (AFP) Islam Abou Ara, um dos responsáveis pelo jornal palestino “Al-Hayat al-Jadida”, ligado à Autoridade Palestiniana.
Em sintonia com o protesto em Ramallah, o chefe do escritório da rede de comunicação Al Jazeera em Gaza, Wael Dahdouh, ressaltou que “jornalistas estão sendo mortos e um genocídio está sendo cometido contra eles”, durante a Conferência sobre a Proteção de Jornalistas em Conflitos Armados, que está sendo realizada em Doha, no Catar.
A organização Repórteres Sem Fronteiras considera que os territórios palestinos se tornaram o local mais perigoso do mundo para jornalistas desde o início do conflito, em 2023, incluindo a Cisjordânia ocupada. (Foto: Reprodução)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações da Al Jazeera, Agência Palestina Wafa, Agência France Presse, Jornal de Notícias (Port) e Correio da Manhã (Port), com fotos de reprodução da AFP.



