Os três jornais de maior circulação nacional no país, de linha conservadora, condenaram em editoriais o tarifaço de 50% aplicado por Donald Trump contra produtos brasileiros, atribuindo a decisão à família Bolsonaro.
O Estado de S. Paulo foi taxativo: “Eis aí o mal que faz ao Brasil um irresponsável como Bolsonaro, com a ajuda de todos os que lhe dão sustentação política com vistas a herdar seu patrimônio eleitoral”.
A Folha de S. Paulo alertou que “cogitar que o Judiciário de uma nação soberana e democrática, que opera com independência, deixará de processar quem quer que seja para livrar o país de retaliações econômicas dos Estados Unidos não passa de devaneio autoritário”.
Já O Globo defendeu o Poder Judiciário como expressão da democracia vigente no país. Não cabe a Trump nem a nenhum outro mandatário criticar suas decisões. Bolsonaro não pode ser julgado pelos eleitores porque está inelegível, tampouco é vítima de caça às bruxas”, destacou o jornal em seu editorial.
Imprensa dos EUA expressa preocupação
A imprensa estadunidense também deu grande repercussão ao caso, sobretudo pelas consequências econômicas, se a decisão de Trump for mantida e aplicada a partir de 1 de agosto.
O “Washington Post” diz que o anúncio de Trump “marca uma forte escalada na disputa diplomática sobre o processo movido contra Jair Bolsonaro, por seu suposto papel em uma conspiração para manter o poder após a derrota eleitoral em 2022”.
Já o “New York Times” foi taxativo ao apostar que a disputa entre os dois países tem potencial para “grandes repercussões econômicas e políticas, especialmente no Brasil” e que “Trump tenta usar as tarifas para intervir em um julgamento criminal em país estrangeiro”.
Motta e Alcolumbre defendem “equilíbrio e firmeza”
Depois de muita expectativa sobre a posição dos líderes do Poder Legislativo, os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do Senado Federal, Davi Alcolumbre, divulgaram nota conjunta sobre o caso. No texto, anunciaram que o Congresso vai agir com “equilíbrio e firmeza” para defender os interesses nacionais.
Os dois consideram que o Brasil deve responder aos EUA “com diálogo nos campos diplomático e comercial”. Na nota, Motta e Alcolumbre alertaram que a nova lei de Reciprocidade Econômica tem “mecanismos que dão condições ao nosso país, ao nosso povo, de proteger a nossa soberania”.
Por sua vez, em entrevista ao portal de notícias UOL, o ideólogo da extrema-direita internacional, Steve Bannon, afirmou que Trump retiraria as tarifas contra os produtos brasileiros se o Supremo Tribunal Federal extinguir os processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Derrubem o caso, derrubamos as tarifas”, disse Bannon, um dos analistas mais influentes junto a Donald Trump e fundador do movimento MAGA (Make America Great Again), hoje predominante na estrutura do Partido Republicano. (Foto: Reprodução)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista)


