Um voo da Flydubai com destino a Israel foi desviado nesta quarta-feira (30) para a Arábia Saudita depois que os pilotos se envolveram em uma violenta briga dentro da cabine. O episódio provocou sinais de emergência, uma rápida descida da aeronave e uma operação de segurança envolvendo autoridades israelenses e sauditas.
O voo FZ1073 havia decolado de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com destino a Tel Aviv. Segundo informações da Reuters e dados do site Flightradar24, a aeronave transmitiu diferentes sinais de emergência enquanto sobrevoava a região e mudou sua rota em direção à Arábia Saudita.
O Boeing 737 chegou a perder cerca de 14 mil pés de altitude em menos de 30 segundos, pouco antes da emissão do primeiro alerta, segundo o Flightradar24. Em seguida, a aeronave prosseguiu para o aeroporto de Tabuk, no noroeste da Arábia Saudita, onde pousou em segurança.
Todos os passageiros foram retirados em segurança. Os dois pilotos ficaram feridos e foram encaminhados para um hospital saudita, segundo informações divulgadas sobre o incidente.
Briga dentro da cabine
Um funcionário israelense ouvido pela Reuters afirmou, sob condição de anonimato, que os sinais de emergência foram transmitidos depois que os dois pilotos entraram em confronto físico. As circunstâncias exatas da briga ainda não foram esclarecidas.
Relatos de passageiros, porém, acrescentaram um elemento ainda mais grave à ocorrência. Yasmin Abu Kasis contou à Reuters que sua filha Miriam, que estava a bordo, ouviu gritos e viu um homem armado com uma faca dominar um dos pilotos e colocá-lo no chão. Segundo o relato, havia sangue na cabine.
Ainda segundo a passageira, o avião começou a perder altitude de maneira brusca, provocando pânico entre os ocupantes. Passageiros teriam ajudado a conter o homem durante a confusão.
A Reuters ressaltou que imagens divulgadas pela imprensa israelense, incluindo uma fotografia que aparentaria mostrar uma camisa manchada de sangue, ainda não haviam sido verificadas independentemente.
Suspeita de ataque
O ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, classificou o episódio como uma possível tentativa de ataque terrorista e afirmou que um “terrorista” teria tentado derrubar a aeronave.
A declaração, entretanto, contrasta com a avaliação inicial do gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Um porta-voz afirmou à Reuters que o episódio não era considerado um sequestro e que a situação estava sob controle.
A imprensa israelense também divulgou versões segundo as quais um dos pilotos teria tentado provocar a queda da aeronave. Essas informações permanecem sob investigação e não foram confirmadas de forma independente.
O incidente acionou uma grande operação de segurança em Israel, inclusive porque a aeronave transportava cerca de 150 passageiros israelenses, segundo a imprensa local. Israel não mantém relações diplomáticas oficiais com a Arábia Saudita, país onde o avião acabou pousando.
O gabinete de Netanyahu informou que estavam sendo adotadas medidas para garantir o retorno dos passageiros israelenses ao país.
Pouso de emergência
A Flydubai confirmou apenas que o voo FZ1073 sofreu um “incidente” durante o trajeto para Tel Aviv e foi desviado para Tabuk, onde pousou com segurança. A companhia informou que todos os passageiros estavam em segurança e que trabalhava com as autoridades responsáveis pela investigação.
A rota Dubai–Tel Aviv é operada diariamente pela companhia e se tornou importante para passageiros israelenses desde a normalização das relações entre Israel e os Emirados Árabes Unidos.
O caso continua sendo investigado. Até o momento, estão confirmados o desvio do voo, os sinais de emergência, a brusca perda de altitude, a briga entre os pilotos, o pouso em Tabuk e o atendimento hospitalar aos dois integrantes da tripulação. Já a motivação do confronto e a hipótese de uma tentativa deliberada de derrubar ou sequestrar o avião permanecem sob apuração.
Na imagem destacada, voo FZ1073 da Flydubai com destino a Tel Aviv desvia rota após incidente a bordo em 30 de setembro de 2026. (Foto: Flightradar24.com/Handout via REUTERS)
Por Opinião em Pauta com informações da Reuters



