Inúteis, covardes e patéticos

Henrique Acker –  O Brasil amanheceu em 22 de novembro com a notícia da detenção preventiva de Jair Bolsonaro, decretada pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes. O motivo: o condenado, ainda aguardando a execução da sentença em prisão domiciliar, tentou romper a tornozeleira eletrônica de monitoramento com um ferro de solda.

A atitude, admitida pelo próprio Bolsonaro, evidencia a existência de um plano de fuga, provavelmente a ser efetuado durante uma vigília, convocada por Flávio Bolsonaro para a porta da mansão em que o ex-presidente vive, em Brasília.

O mesmo objetivo de alguns de seus seguidores, com roteiros diferentes. Allan dos Santos, Carla Zambelli, Eduardo Tagliaferro e, recentemente, Alexandre Ramagem são foragidos da Justiça brasileira. Todos já sentenciados por diversos crimes.

Eduardo Bolsonaro, sequer aguardou o processo e foi para os EUA, conspirar contra o Brasil, juntamente com o neto do ditador Figueiredo, para tentar influenciar o governo Trump a estrangular economicamente o país.

Não seria nada de mais designa-los como extremistas de direita ou simplesmente neofascistas. Mas a conduta dessas pessoas é digna de outros adjetivos.

São inúteis, porque por onde passaram nada agregaram de positivo à sociedade. São covardes, porque usam a voz para conclamar seus seguidores a desobedecer as regras do jogo democrático, mas ao serem confrontados com a lei simplesmente negam e abandonam seus liderados. São patéticos, porque quando confrontados com as consequências de seus atos não assumem suas responsabilidades, revelando fragilidade de caráter.

A conduta de Jair Bolsonaro durante toda a sua vida revela essas mesmas características. Inútil como militar, nega até hoje que tenha sido autor do plano que previa a sabotagem de instalações do Exército, em nome de uma suposta reivindicação salarial. Passou a viver como falso representante dos militares na Câmara do Rio e depois no Congresso Nacional.

Covarde como réu, quando encarou seu acusador no STF dizendo que não poderia ser responsável pelos atos de “uns malucos ali com aquela idéia de AI-5 e intervenção militar”, que em seu nome depredaram os prédios dos três poderes, em Brasília, durante a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.

Patético, agora, ao tentar um plano de fuga para escapar do cumprimento da sentença que recebeu pela aventura golpista. Tão patético quanto as asneiras que proclamou e as atitudes que tomou durante os quatro anos de seu governo, que no caso da pandemia, redundaram na morte de 700 mil brasileiros.

Há um traço comum a unir todas essas tristes figuras da extrema-direita: o mau-caratismo. Vivem de apontar o dedo aos outros, a buscar bodes-espiatórios para justificar sua postura antidemocrática.

Os planos macabros de provocar um tumulto e acionar as forças armadas para uma intervenção – que incluía os assassinatos de Lula, Alckmin e Moraes – só foram elaborados (apesar de fracassados) porque não houve punição aos ditadores e seus comandados durante os 21 anos da ditadura militar no Brasil.

Mas há muito mais por esclarecer. Como dirigentes dos dois maiores partidos do Centrão estão envolvidos, junto com os governadores bolsonaristas, na trama do banco Master? Como o líder de um dos maiores partidos do país pode receber dinheiro do operador do PCC? O que há de real no uso de seitas neopentecostais, em grande parte apoiadoras de Bolsonaro e desses mesmos políticos de direita, como lavanderias de dinheiro do crime organizado?

Pelo visto, há fortes indícios de que a velha burguesia brasileira deixou a vergonha de lado e passou a admitir sociedade com grupos empresariais que atuam à margem da lei. Por isso, já não tem qualquer compromisso com a legalidade e a democracia.

É o que justifica que as classes dominantes aceitem apelar à extrema-direita no Brasil, patrocinando figuras inúteis, covardes e patéticas como Bolsonaro para dirigir o país. Daí também o receio evidente frente a independência da Justiça e da Polícia Federal para apurar e cumprir mandatos de prisão, no caso de crimes de “colarinho branco”.

 

Por Henrique Acker (jornalista e colunista)

 

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