ICE, a Gestapo de Trump

Henrique Acker.  – Em apenas um ano de governo Trump, 270 mil pessoas foram presas na fronteira, enquanto outras 230 mil que estavam detidas dentro do país foram deportadas. A meta é expulsar dos EUA um milhão de pessoas por ano.

O que chama a atenção no noticiário atual é a atuação violenta da Immigration and Customs Enforcement (ICE), Serviço de Imigração e Controle de Fronteiras, uma força federal criada após os atentados às torres gêmeas, em 2003.

Em 2025, o orçamento do ICE triplicou, chegando a US$ 29,9 bilhões ao ano, segundo cálculos do Conselho Americano de Imigração, organização de apoio a imigrantes nos EUA. Outros US$ 45 bilhões foram destinados à construção de centros de detenção para imigrantes.

 

Sem ordem judicial

A missão declarada da ICE é proteger os Estados Unidos do crime transfronteiriço e da imigração ilegal que ameaçam a segurança nacional e a segurança pública. Sob essa justificativa, a instituição contratou mais 12 mil agentes no primeiro ano do governo Trump, chegando a 22 mil policiais.

A maioria dos detidos é deportada rapidamente, sem o devido processo legal, seja para seu país de origem ou para outro país que tenha concordado em receber milhares de pessoas expulsas em troca de subsídios financeiros fornecidos pelo governo Trump. É o caso de El Salvador, presidido por Nayib Bukele.

No Minnesota, estado em que Trump foi derrotado na eleição de 2025, foram empregados cerca de dois mil homens nas ações do ICE. Usando equipamento militar e com rostos cobertos, eles entraram nas casas das pessoas sem mandato judicial.

As operações do ICE são realizadas com carros sem identificação e com agentes mascarados, prendendo pessoas no meio da rua, em escolas, igrejas ou locais apenas em que suspeitam que vivam ou trabalhem imigrantes sem documentos.

 

Gregory Bovino comanda sua tropa com truculência nas ruas, procedimento semelhante ao usado pela Gestapo na Alemanha nazista

 

Reação popular

Apesar do clima de repressão nas ruas das grandes cidades, boa parte da população vem reagindo às ações do ICE. Durante as abordagens truculentas, populares se aglomeram em torno das equipes para denunciar, soprar apitos e protestar. Cresce a solidariedade popular aos imigrantes. Foi o que ocorreu em Minnesota.

“Enquanto o ICE luta para deportar os piores imigrantes ilegais criminosos de Minnesota – incluindo estupradores de crianças, assassinos e outros – manifestantes violentos e agitadores tentam ativamente proteger esses criminosos cruéis, interferindo e obstruindo as operações do ICE”, informou em nota a instituição.

No entanto, a cúpula do Poder Judiciário dos EUA tem legitimado as ações do ICE. Uma decisão da Suprema Corte permitiu que o ICE faça abordagens com base em estereótipos, como a língua que falam e a aparência das pessoas nas ruas.

Em 2022 eram cerca de 11 milhões de pessoas que viviam sem sua situação legalizada nos EUA. Desses, 79% dos imigrantes estavam há mais de 12 anos no país. Um dos maiores problemas é que a obtenção de visto permanente exige um processo longo e rigoroso.

Como resultado das atividades truculentas do ICE, há inúmeros casos de pessoas detidas com paradeiro desconhecido, separação de pais de seus filhos menores, uso de spray de pimenta e outras formas truculentas de prender e reprimir os que se insurgem contra as arbitrariedades.

 

Fora de controle

As atividades do ICE chamam a atenção de analistas políticos, por lembrarem as polícias políticas empregadas por regimes autoritários. A mais conhecida foi a Gestapo, polícia secreta da Alemanha Nazista, que atuou também nos países ocupados durante a II Guerra Mundial.

“O ICE é a Gestapo de Trump. Seu alvo é o ‘outro conveniente’, o indígena, o negro e o pardo, que não fala inglês”, comentou o historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Francisco Carlos Teixeira da Silva, em declaração à Agência Brasil de notícias.

Durante o regime nazista e a Segunda Guerra, as ações da Gestapo estavam direcionadas à eliminação de opositores políticos do regime e à limpeza étnica de minorias consideradas inferiores.

De acordo com informação apurada pelo jornalista e correspondente internacional, Jamil Chade, além dos dois cidadãos estadunidenses mortos nas ruas, só este ano outros cinco imigrantes que estavam sob custódia do ICE perderam suas vidas.

 

Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações da Pública (artigo de James Green), Agência Brasil, Wikipédia e BBC Brasil e imagens da AP e Reuters

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