O artigo a seguir leva a assinatura do jornalista Josias de Souza, articulista político do UOL:
Josias de Souza (UOL) – Ao formalizar a indicação de Jorge Messias para o Supremo, Lula aguçou os maus bofes de Davi Alcolumbre. Ele preferia vestir a toga no amigo Rodrigo Pacheco. Contrariado, o chefão do Senado engatilhou para a semana que vem a votação de uma bomba fiscal: a aposentadoria especial dos agentes de saúde.
Nos subúrbios do Planalto, consolida-se a impressão de que há menos Messias do que Master por trás do azedume de Alcolumbre. Além da fraude de R$ 12,2 bilhões no Banco de Brasília, a Polícia Federal investiga os negócios do banqueiro Daniel Vorcaro, preso nesta semana, em 18 fundos de previdência de estados e municípios.
Entre as caixas registradoras sob suspeição está a da Amprev, Previdência dos servidores do Amapá. Dirige a entidade Josildo Lemos, um apadrinhado de Alcolumbre. Viriam daí os chiliques do senador.
O chefão do Senado se queixa nos bastidores de não ter recebido um telefonema de Lula. Alega que o presidente deveria ter avisado antes de levar o nome de Messias à vitrine. É como se o Brasil fosse um Amapá hipertrofiado. Nesse país alternativo, Lula seria um usurpador de escolhas que Alcolumbre acha que deveriam ser dele.
Pode-se dizer o que quiser de Alcolumbre, menos que seu poder não foi consentido. Sob Bolsonaro, ajudou a estruturar o orçamento secreto. Sob Lula, controla dois ministérios e a Codevasf. Nenhum dirigente de agência reguladora é nomeado sem o seu aval.
A terceirização da escolha de ministros do Supremo e dos inquéritos da PF a Alcolumbre exigiria o reconhecimento oficial de que o Brasil é mesmo um imenso Amapá. Mas haveria um inconveniente institucional: seria necessário revogar a República. Melhor não arriscar.
Na imagem destacada, Alcolumbre sorridente ao lado do presidente da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Lemos. (Foto Internet / Reprodução)


