Guerra: Irã resiste a ataques e desafia EUA

A preservação do sistema governamental e o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz demonstram a habilidade de resistência do Irã após a ofensiva dos Estados Unidos (EUA), o que lhe confere a “iniciativa de guerra”. Essa é a análise do major-general português Agostinho Costa, que é especialista em segurança e geopolítica, além de ter sido vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal.

Na opinião do general, o prolongamento do conflito é uma decisão que vem do Irã.

“Atualmente, temos a impressão de que a liderança dessa ação está mais nas mãos do Irã do que realmente nos Estados Unidos e em Israel“, afirmou o oficial à Reuters.

O governo do Irã, através de ataques a instalações militares dos EUA no Oriente Médio e do bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, que coloca em risco a economia mundial, estaria intensificando a pressão sobre Washington a respeito do futuro do conflito.

Segundo o general, a capacidade dos mísseis iranianos não se deteriorou de forma significativa, como se previa inicialmente, o que sugere uma análise inadequada e uma decisão apressada por parte dos EUA ao iniciar o conflito. Agostinho ressalta que a meta dos Estados Unidos de desmantelar o governo iraniano em um curto período não foi realizada.

“O entendimento inicial era de que os iranianos se encontrariam, neste período, em uma posição vulnerável, atravessando uma fase de fragilidade e impotência, e que inevitavelmente desmoronariam como um castelo de cartas. Contudo, essa não é a realidade que estamos observando”, destacou.

O oficial Agostinho Costa observa que o Irã se organizou para este conflito, distribuindo seus armamentos balísticos por uma vasta extensão de 1,6 milhão de quilômetros quadrados, que é maior do que a área do estado do Amazonas.

Sistema de defesa chinês

Além disso, a tática de minar o sistema de defesa aérea de Israel e de colocar as instalações militares dos EUA na área sob ataque teria se mostrado eficaz para Teerã.

“Observamos que as instalações dos Estados Unidos têm sido alvo de ataques precisos, o que confirma as alegações de que os chineses ofereceram aos iranianos acesso à rede de satélites BeiDou, possibilitando uma visão em tempo real da situação e imagens do equipamento inimigo”, afirmou Agostinho Costa.

O major-general declara que os Estados Unidos não possuem uma defesa eficaz contra a rede de satélites da China.

Eles não conseguem desativar a constelação de satélites da China. Essa é a razão pela qual os ataques do Irã são tão precisos”, acrescentou.

De acordo com um especialista em defesa, é incerto o período durante o qual o Irã será capaz de exercer pressão militar sobre os Estados Unidos e Israel. No entanto, ele considera que os EUA enfrentam dificuldades para prolongar esse conflito por muito tempo, levando em conta fatores militares, econômicos e políticos.

Quatro semanas é, de fato, o período que Trump supostamente estaria disposto a prolongar esse conflito, mas existe uma grande dúvida a respeito. Qual é a habilidade de cada parte para sustentar essa campanha no ritmo que estamos observando?”, indagou.

Iranianos estrategistas

Conforme o especialista, o Irã possui duas táticas fundamentais: realizar ataques às instalações militares dos EUA na região do Oriente Médio com o objetivo de forçar a retirada dos americanos do Golfo, além de minar a capacidade de defesa aérea de Israel, o que geraria uma derrota significativa para o país e o impediria de perturbar o Irã no futuro próximo.

De acordo com o oficial português, os assaltos às instalações americanas “demonstram para as nações árabes próximas que possuir tantas bases não traz benefício algum, que, em resposta, os norte-americanos rapidamente decidiram largá-las”.

Paralelamente, Israel e os Estados Unidos não teriam logrado garantir um domínio aéreo na região do Irã. Agostinho Costa, ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal, contesta a declaração israelense de que teriam conseguido criar um corredor aéreo sobre o Irã, permitindo a livre passagem por lá.

Até o momento, não observamos isso. O que percebemos, na verdade, é que os esforços de Israel e dos EUA em relação ao Irã estão, essencialmente, centrados em drones, e temos presenciado imagens de drones sendo derrubados”, afirmou.

No Golfo Pérsico, as bases americanas

Costa destacou que, devido ao fechamento de instalações norte-americanas no Oriente Médio, os aviões de combate de Israel e dos Estados Unidos são obrigados a percorrer grandes distâncias, o que complica a realização de suas missões.

A maior parte das bases norte-americanas na área está sem atividade. Assim, os Estados Unidos estão utilizando principalmente os dois porta-aviões, possivelmente em conjunto com as instalações em Israel e, muito provavelmente, a partir de Chipre“, esclareceu.

Os ataques a instalações militares americanas em, ao menos, 12 nações do Golfo Pérsico aparentemente resultaram na redução do suporte logístico de Washington.

Quando um caça decola de um portaaviões, ele leva uma quantidade reduzida de mísseis e necessita passar por um reabastecimento. Para que isso ocorra, é necessário que o avião esteja, pelo menos, a 700 km de distância. Essa operação envolve uma coordenação logística bastante complexa”, esclareceu. (Foto: Majid Asgaripour/ via REUTERS)

Por Opinião em Pauta com informações da Reuters

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