O Secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, revelou nesta quarta-feira (15) a introdução de um programa inovador de avaliação para “baixas taxas de testosterona” entre os militares, considerando essa medida essencial para que consigam operar em seu “máximo potencial”.
As novas avaliações serão efetuadas todos os anos como parte dos exames de saúde mandatórios para militares com 30 anos ou mais, declarou ele.
Soldados com idade inferior a 30 anos terão a oportunidade de se oferecer como voluntários para os exames. Em uma gravação compartilhada nas mídias sociais, Hegseth menciona de maneira ampla as forças armadas, mas parece focar especificamente na avaliação de homens em uniforme em relação a possíveis anomalias hormonais.
A decisão acontece em um período em que certos membros da administração Trump passaram a apoiar um maior acesso a tratamentos de reposição de testosterona para os homens; entretanto, as afirmações feitas por Hegseth e outros combinam informações científicas consolidadas sobre o hormônio com alegações mais abrangentes e com menos respaldo.
Quando indagado sobre as condições que Hegseth planejava tratar na nova política, o Pentágono se referiu às suas afirmações no vídeo, onde ele ressaltava a importância de ter forças “fortes, resilientes e competentes”, e afirmava que os desafios do combate atual requerem “uma prontidão psicológica e mental total”.
Aprimorar desempenho
O Pentágono não detalhou quais doenças ou condições seriam abordadas pela nova política. No vídeo, Hegseth declarou que a participação na terapia de reposição de testosterona seria opcional.
Recentemente, unidades de operações especiais — em particular os Navy SEALs — passaram a ser analisadas criticamente por causa do uso de testosterona e substâncias semelhantes para aprimorar seu desempenho.
O falecimento de um aspirante a SEAL durante o treinamento em 2022 resultou na identificação de substâncias encontradas com ele, entre elas a testosterona, e expôs um uso de drogas muito mais prevalente nesse prestigiado programa do que se pensava anteriormente.
Um ano depois do falecimento do soldado, a Marinha divulgou que começaria um programa de testes para identificar “todas as substâncias hormonais, químicas ou farmacológicas associadas à testosterona, que favoreçam o aumento da massa muscular”.
Hegseth declarou que seu novo projeto “não se refere a melhoria artificial”.
Essa não é a primeira ação polêmica de Hegseth no que diz respeito à saúde dos militares. Em junho, uma surto de gripe em uma base da Força Aérea no Texas ocorreu após a suspensão da obrigatoriedade da vacina contra o vírus no local. Trezentos soldados adoeceram, e, tristemente, um deles faleceu.
A decisão foi alterada, e as vacinas passaram a ser administradas novamente.
O Pentágono não forneceu esclarecimentos sobre quais investigações ou estudos acadêmicos fundamentaram a decisão. Não foi esclarecido, igualmente, se as militares do sexo feminino teriam a possibilidade de passar por testes para analisar a diminuição dos níveis de estrogênio ao iniciarem a perimenopausa.
Os níveis de testosterona nos homens tendem a cair gradualmente com o passar dos anos e estão há bastante tempo relacionados a questões como disfunção erétil, diminuição do desejo sexual, variações de humor e aumento de peso. Contudo, especialistas têm discutido por muito tempo a melhor forma de diagnosticar essas condições e se a terapia de reposição hormonal é a abordagem adequada para tratá-las.
Prescrição de testosterona
A declaração de Hegseth surge em um período em que o Secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., junto a outras figuras da administração Trump, está implementando ações para tornar mais acessível a prescrição de testosterona pelos médicos.
No mês anterior, a FDA (órgão responsável pela regulamentação de medicamentos nos Estados Unidos) sugeriu aliviar as normas de prescrição para géis, tabletes, adesivos e injeções de testosterona.
As diretrizes recentes da FDA indicam que esses fármacos são exclusivos para homens que apresentam hipogonadismo, uma condição que resulta em níveis extremamente baixos de testosterona.
Entretanto, vários influenciadores e apoiadores da iniciativa “Make America Healthy Again”, liderada por Kennedy, divulgam a testosterona como uma solução para parecer mais jovem, aumentar a massa muscular e preservar a agilidade mental — embora esses propósitos não sejam aceitos pela maioria dos profissionais de saúde.
Pesquisas recentes têm fortalecido as provas sobre as vantagens da testosterona em algumas condições, enquanto também esclareceram dúvidas sobre sua segurança, especialmente no que se refere à saúde do coração.
No ano anterior, a FDA eliminou a advertência em destaque, conhecida como “boxed warning”, relacionada a potenciais riscos de infarto e acidente vascular cerebral nos medicamentos. (Foto: Reuters)
Por Opinião em Pauta com informações da Reuters



