Henrique Acker – O Banco Central decidiu liquidar o Banco Master, sob o comando do agora preso e acusado de operações fraudulentas, Daniel Vorcaro. A Polícia Federal prendeu Vorcaro na segunda-feira (17/11) à noite no aeroporto de Guarulhos (SP). Ele estava tentando sair do país em um avião particular para Malta, na Europa.
A investigação do Ministério Público Federal implica dirigentes do Banco Regional de Brasília – BRB, banco público do Distrito Federal, por tentativa de socorro ao Master.
Além do governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), o governo de Cláudio Castro (PL), do Rio, também deu uma força ao banco de Daniel Vorcaro, já que sua administração usou dinheiro do Rioprevidência – fundo dos servidores – para comprar títulos do banco.
Ativos podres como garantia
Com um crescimento fora do comum, o Master atuava preferencialmente por meio da captação de recursos em Créditos de Depósitos Bancários (CDB), pagando aos investidores juros muito acima da média do mercado.
Para garantir a pretensa solidez da instituição, o Master comprava ativos com baixa liquidez, como empresas com problemas financeiros, precatórios e direitos creditórios.
Um dos fatores que agravou ainda mais a crise do Master foi o fato de o banco e outras instituições financeiras terem sido proibidos de oferecer crédito consignado a aposentados do INSS.
Operações suspeitas
De 2019 para 2024, o crescimento do Banco Master suplantou as previsões mais otimistas. O patrimônio passou de R$ 219 milhões para R$ 5 bilhões, enquanto o lucro líquido saltou de R$ 18,5 milhões para R$ 38 milhões. Calcula-se em cerca de 10 milhões o número de clientes, entre correntistas e investidores do Master, a maioria das classes C e D.
As investigações da Polícia Federal concluíram que havia operações incomuns ou fora do padrão entre o BRB – Banco público de Brasília – e o Master.
Nas investigações que levaram à prisão de Vorcaro, o Ministério Público Federal apontou “indícios de participação consciente dos dirigentes do BRB no suposto esquema fraudulento engendrado pelos gestores do Banco Master”.
Uma mão suja a outra
Apesar de terem conhecimento da falta de liquidez do Banco Master, os dirigentes do BRB – sob a gestão do atual governador de Brasília, Ibaneis Rocha (MDB) – insistiram na aquisição financeira.
Segundo a investigação do MP, o Master emitiu Certificados de Depósitos Bancários (CDB) prometendo juros de 40%, percentual muito acima do praticado no mercado.
Para justificar essa oportunidade aos investidores, o Master declarou que teria adquirido créditos de uma empresa chamada Tirreno com os CDB, uma operação que nunca foi registrada e comprovada pelo Banco Central.
Em seguida, o Master “vendeu” esses mesmos créditos inexistentes ao BRB, que pagou R$ 12,2 bilhões, sem documentação, para socorrer o seu caixa. Nessa mesma ocasião, o BRB tentou adquirir o Master, operação que foi barrada pelo Banco Central.
Cláudio Castro (PL), governador do Rio de Janeiro, também vai precisar explicar por que o Rioprevidência – fundo dos aposentados e pensionistas do Estado – comprou milhões em títulos do Banco Master e agora vive a expectativa de ver os papéis perderem o valor. O rombo pode ficar entre R$ 980 milhões e R$ 2,6 bilhões.
Fraude financeira pode dar cadeia
O MPF acusa os administradores do BRB de “gerir fraudulentamente instituição financeira”. Trata-se de crime contra o sistema financeiro nacional, com pena prevista de 3 a 12 anos de reclusão e multa.
Apesar de impedidos de realizar a aquisição, os dirigentes do BRB continuaram transferindo recursos do banco público de Brasília para o Banco Master.
De acordo com o documento do MPF, “entre os meses de julho de 2024 e 3/10/2025, foram transferidos ao grupo Master o correspondente a R$ 16.717.138.715,05 pelo BRB”.
Ostentador e midiático
Tido como um sujeito ostentador, Vorcaro teria montado em torno de si uma teia de relacionamentos com políticos e gente graúda do mercado financeiro.
Ele diversificou suas atividades e possui 20% da SAF do Atlético Mineiro. Há suspeitas de que a origem do dinheiro de Vorcaro no Atlético seria de negócios do PCC.
O banqueiro também já apresentou um programa de música gospel na TV. Segundo o Valor Econômico, sua família é ligada à Igreja Batista da Lagoinha e seu pai ajudou a instituição a comprar uma emissora de TV.
Futuro incerto para pequenos investidores
Os maiores investidores podem receber até R$ 250 mil cada, garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) do Banco Central. Mas os CDBs do Banco Master estão sendo negociados com deságio no mercado secundário, à medida que investidores tentam se desfazer dos títulos.
Depois da prisão de Vorcaro, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, afastou o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e nomeou em seu lugar Celso Eloi de Souza Cavalhero.
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações do UOL Notícias, ICL Notícias, Valor Econômico, G1, Estadão, Monitor Mercantil.



