O ano de eleições de 2026 teve início com uma agitação significativa entre os governadores, que estão promovendo renúncias, trocas de partido e planejando táticas para concorrer a novas posições ou assegurar a permanência de seus grupos políticos nas unidades federativas.
Entre os 27 governadores estaduais, a maioria já traçou seus planos: alguns pretendem se reeleger, outros irão concorrer a cadeiras no Senado, enquanto há governadores que consideram a possibilidade de se candidatar à presidência ou ainda se encontram indecisos sobre seus próximos passos na política, em um contexto que pode gerar transformações importantes nas administrações estaduais, segundo a Folha de São Paulo.
Conforme a pesquisa, nove governadores têm a intenção de buscar a reeleição, enquanto outros nove estão se preparando para concorrer a uma vaga no Senado, e dois já optaram por não participar das eleições.
Ademais, quatro pessoas estão buscando se afirmar como candidatos à presidência, enquanto três ainda não definiram seus próximos passos nas eleições. Aqueles que desejam concorrer a outras funções devem renunciar aos seus cargos até o dia 4 de abril, de acordo com as regras eleitorais, o que poderá levar a renúncias em pelo menos 13 estados, resultando na ascensão de vice-governadores em 11 dessas localidades.
Em ao menos dez estados da federação, os vice-governadores são considerados os herdeiros naturais na corrida pela sucessão, uma tática que visa manter a força política dos governantes em exercício.
Em Minas Gerais, Romeu Zema, do partido Novo, pretende passar o comando para o vice Matheus Simões, filiado ao PSD. Simões busca aumentar sua notoriedade pública utilizando as redes sociais e se beneficiando da visibilidade proporcionada pelo governador em exercício, que se declarou pré-candidato à Presidência.
Em Pará, Hana Grassan (MDB), que é a vice-governadora, planeja se candidatar ao cargo de governador, já que Helder Barbalho (MDB) anunciou sua renúncia com a intenção de disputar uma vaga no Senado, sendo esta sua primeira corrida eleitoral em uma posição de destaque.
Em solo gaúcho, o vice Gabriel Souza (MDB) tem a bênção do governador Eduardo Leite (PSD) em uma corrida que parece se dividir entre os postulantes do PT e do PL. Cenários análogos estão acontecendo no Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Paraíba, Espírito Santo, Acre e Roraima, onde vices se posicionam como sucessores políticos dos governantes em exercício.
As desistências planejadas visam fortalecer a presença de partidos de centro-direita nas regiões. O PP, que no momento administra dois estados, pode expandir sua influência para quatro, com a possível vitória de Lucas Ribeiro na Paraíba e Celina Leão no Distrito Federal.
O Republicanos está se preparando para aumentar sua atuação, conseguindo quatro governos estaduais, como os de Mato Grosso e Roraima. Por outro lado, o MDB pode expandir sua influência de dois para cinco governadores, com alterações no Pará, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. O PSD, por sua vez, terá a chance de governar cinco estados se as renúncias de governos que buscam a Presidência se concretizarem, incluindo Ronaldo Caiado (Goiás), Ratinho Jr. (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).
No espectro da esquerda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve preservar seus aliados à frente de dez estados, mas a ala progressista tende a reduzir sua influência. As saídas de Fátima Bezerra (PT-RN), Renato Casagrande (PSB-ES) e João Azevêdo (PSB-PB) criarão oportunidades para vice-governadores associados à centro-direita.
No Rio Grande do Norte, o cenário se apresenta de forma mais complicada: após a separação do vice Walter Alves (MDB), que deixará sua posição para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa, será responsabilizada a Assembleia Legislativa pela escolha de um governador interino. Para a eleição, o PT optou por Cadu Xavier, que é o atual secretário da Fazenda estadual, como seu candidato.
No estado do Rio de Janeiro, o governador Cláudio Castro (PL) planeja abdicar de seu cargo para se candidatar ao Senado. Contudo, não há um vice-governador, pois Thiago Pampolha ocupou essa posição até 2025, quando foi para o Tribunal de Contas. Semelhante à situação do Rio Grande do Norte, a Assembleia Legislativa do Rio deverá indicar um governador interino até o término do mandato.
Em diversas regiões, os chefes do executivo decidiram continuar em suas funções até o término de seus mandatos. No estado de Alagoas, Paulo Dantas (MDB) se empenha para facilitar o retorno de seu predecessor, Renan Filho (MDB), que atualmente ocupa o cargo de ministro dos Transportes.
Em Maranhão, Carlos Brandão (independente) optou por não se candidatar ao Senado devido a desavenças com o vice Felipe Camarão (PT) e continua no cargo de governador, movimentando-se para apoiar a candidatura de seu sobrinho, Orleans Brandão, que atualmente desempenha a função de secretário estadual.
Existem também estados que se encontram em situações de incerteza. No Amazonas, Tocantins e Rondônia, os governantes optam por não revelar suas propostas, devido a conflitos com seus vice-governadores.
No Amazonas, Wilson Lima (União Brasil) pondera sobre a possibilidade de concorrer ao Senado, mas lida com um desgaste em sua gestão e analisa a opção de se candidatar à Câmara dos Deputados. Já no Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), que foi afastado pela Justiça por um período de três meses em 2025, reluta em transferir o poder ao vice Laurez Moreira (PSD), que é seu opositor político dentro do partido.
Dentre os governadores que irão buscar a reeleição está Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, que viu sua candidatura à presidência perder impulso com a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Dentro do cenário ligado ao PT, Jerônimo Rodrigues, na Bahia, e Elmano de Freitas, no Ceará, enfrentam desafios relacionados à administração e à influência de seus predecessores, que atualmente ocupam cargos de ministros, Rui Costa e Camilo Santana. Contudo, é provável que ambos busquem a reeleição.
Em Santa Catarina, Jorginho Mello (PL) enfrentou um obstáculo significativo devido à saída do MDB, um partido com grande influência nas cidades. No entanto, ele ainda é visto como um forte candidato à reeleição em um estado que possui um eleitorado predominantemente bolsonarista. (Foto: Reprodução)
Por Opinião em Pauta com informações da Folha

