Henrique Acker – A diferença entre o candidato mais votado e Lula no primeiro turno da eleição de 2026 foi de 2,225 milhões de votos. A vantagem é da extrema direita, mas pode ser revertida. É como o segundo tempo de uma partida de futebol.
Ao todo, estão em disputa 45,2 milhões de votos, entre abstenções, brancos/nulos e eleitores de outros candidatos no primeiro turno. Certamente o eleitor conhece o caso de algum parente, amigo ou vizinho que está entre eles.
A despeito do cenário político internacional e dos pontos fracos dos candidatos, especialistas advertem que o segundo turno é outra eleição, principalmente quando a diferença entre os dois é pequena (menos de 2%).
Uma série de medidas podem ser determinantes para alterar o resultado no segundo turno. Entre elas, uma varredura para localizar os que se abstiveram, votaram branco ou nulo e os eleitores de outras candidaturas. Para ser eficiente, esse trabalho deve ser realizado em cada rua, quadra e prédio.
Abstenção é maior entre analfabetos, jovens e idosos
No primeiro turno da eleição de 2026 a abstenção ficou em 21,07%, maior percentual desde 1998 e recorde em números absolutos. Dos cerca de 158,7 milhões de eleitores aptos a votar, 33,4 milhões não compareceram às urnas.
A grande massa dos eleitores que costuma se abster é de analfabetos (52% em 2022). O voto do eleitor de 16 anos para cima e de 70 anos em diante é facultativo. O recomendável é que a família entenda os argumentos dos que não demonstram interesse em votar, explique a importância do voto e se disponha a acompanhar o(a) jovem ao local de votação.
No caso dos idosos, é determinante organizar um sistema de deslocamento para garantir sua participação na eleição (carona em carro particular ou de amigo, táxi ou uber). É importante localizar o endereço da zona/seção eleitoral, que consta no título de eleitor.
O idoso com dificuldade de deslocamento tem prioridade, pode ser amparado para chegar à sua seção e ser ajudado por um parente na cabine e na urna. A distância da zona eleitoral faz a diferença entre a abstenção e o voto.
No segundo turno de 2022, a abstenção caiu de 32.770.982 eleitores (20,95%) no primeiro turno para 32.200.558 ausentes (20,59%). A diferença foi de 0,36%, cerca de 570 mil eleitores.

Brancos, nulos e eleitores de outros candidatos
Entre os que deixaram de votar no primeiro turno de 2026 estão 6 de cada 10 eleitores que vivem fora do Brasil. Uma dica para quem tem parentes e amigos vivendo no exterior.
Outro segmento do eleitorado a ser disputado é o dos que votaram em branco ou nulo no primeiro turno. Ao todo foram 5,9 milhões (4,77%) no campo dos insatisfeitos, que optaram por não dar seu voto para nenhum candidato. Um total de 2,3 milhões em branco e 3,6 milhões nulos.
Há ainda 5,9 milhões de eleitores que votaram em outras candidaturas no primeiro turno. A maioria se manteve fiel aos seus candidatos, mas demonstrou necessidade de ir às urnas e manifestar sua preferência.
Familiares, amigos e vizinhos
A migração em cima da hora de eleitores das candidaturas conservadoras para Flávio Bolsonaro no primeiro turno, deixa evidente que a margem de votos a ser conquistada pela extrema direita agora é menor. Foi uma espécie de “antecipação” do segundo turno.
Os eleitores que se mantiveram fiéis aos demais candidatos de direita resistem a dar seu voto para o bolsonarismo. Já os votos dos partidos de esquerda devem migrar mais para Lula.
Mapear o eleitorado a ser disputado e direcionar a campanha para esse público é decisivo num pleito que ainda está em aberto. No entanto, o esforço da campanha não vai levar os idosos com dificuldades e os jovens mais dispersos sozinhos às urnas. Trata-se de um trabalho de paciência em cada família, entre amigos e vizinhos.
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações do TSE, G1 e Congresso em Foco.



