Henrique Acker – O noticiário desta quinta-feira, 3 de setembro, revela que o senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) interrompeu atividades da sua campanha eleitoral para se dedicar a torpedear o projeto 221/2029, que prevê o fim da jornada de trabalho 6×1.
Segundo apurado pela revista Carta Capital, a estratégia de Flávio Bolsonaro seria construir uma alternativa ou alterar o conteúdo do projeto de autoria de um deputado do PT, apensado por outro projeto do PSOL, e apoiado pelo governo Lula.
A tentativa era incluir emendas para modificar a essência do texto da PEC, que acabou aprovada na íntegra pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, como saiu da Câmara dos Deputados.
“Assédio ao trabalhador”
As 36 emendas foram rechaçadas pelo relator da matéria, senador Omar Aziz, que classificou a chamada “livre negociação” entre patrões e empregados – proposta pelos bolsonaristas – como “um projeto para patrões”.
“Acordo individual é assédio ao trabalhador, sim”, respondeu Aziz aos argumentos do senador Rogério Marinho (coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro), que apresentou emendas ao texto original.
Ao final do dia, a tática do bolsonarismo foi obstruir a votação da PEC 221/2029 em Plenário. O problema para o candidato Flávio Bolsonaro, caso o projeto seja colocado em votação, será o seu voto, registrado no painel do Senado.
Se pedir licença do mandato para não comparecer à votação, será cobrado pelo seu eleitor. Se comparecer e votar contra, Flávio Bolsonaro terá que prestar contas aos 27 milhões de brasileiros que trabalham em jornada 6×1.
Pouco trabalho
Numa pesquisa sobre a vida laboral do senador e candidato à Presidência, é possível constatar que Flávio Bolsonaro nunca trabalhou de fato como servidor público concursado ou funcionário de alguma empresa privada.
O escritório de advocacia que Flávio possui em Brasília registra quase nenhuma atuação em causas comuns. Mas aparece em apurações da Polícia Federal por emissão de notas fiscais e prestação de serviços declarados a empresas de consultoria e repasses não explicados.
Flávio Bolsonaro construiu seu patrimônio antes de se declarar empresário, conforme informações cartoriais da Justiça Eleitoral e da Junta Comercial do Rio de Janeiro. Era sócio de uma franquia da Kopenhagen no Via Parque Shopping, na Barra da Tijuca.
Muita grana
Desde 2003, Flávio faz parte do clã político formado pelo pai e os quatro irmãos, todos parlamentares. O único vínculo de trabalho em seu nome foi registrado de dezembro de 2000 a junho de 2002, no gabinete do pai, na Câmara dos Deputados.
Como assistente técnico comissionado, Flávio Bolsonaro deveria dar expediente de 40 horas semanais em Brasília. No entanto, na mesma época, estava matriculado em curso presencial de Direito na Faculdade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro.
Na declaração de bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2026, Flávio Bolsonaro registrou o valor de R$ 8.186.555,83. Um aumento de cerca de 370% em comparação com os R$ 1.741.758,15 declarados em 2018, quando disputou vaga ao Senado pelo Rio de Janeiro. (Foto: Ag. Senado)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações de Carta Capital, BBC Brasil, Congresso em Foco, Poder 360, UOL Notícias e Valor Econômico



