Tratado como “ícone”(*) pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-assessor do TSE Eduardo Tagliaferro, ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), participou por internet, diretamente da Itália, de sessão da Comissão de Segurança Pública do Senado, convocada para o dia 2 de setembro
Durante a sessão, transmitida ao vivo pela TV Senado e portais bolsonaristas, Tagliaferro reafirmou possuir documentos que comprovam a atuação parcial e irregular do ministro do STF, Alexandre de Moraes, quando presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de 2022 a 2024. O ex-assessor do TST é considerado um foragido pela Justiça brasileira.
Obstrução de justiça
Segundo relato do perito que atuou no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ele teve que produzir um documento posterior a uma ação policial, mas houve adulteração na data para indicar que o material técnico teria sido produzido antes.
De acordo com a Procuradoria Geral da República (PGR), Tagliaferro vazou para a imprensa informações confidenciais que obteve em função do cargo que ocupou, com o objetivo de obstruir investigações e favorecer interesses próprios e de terceiros.
A conduta do perito e ex-assessor é agravada pelo fato de que, durante os vazamentos, o STF investigava atos antidemocráticos, como a tentativa de golpe de Estado (Pet. 12.100/DF), a divulgação de fake news (Inq. 4.781/DF) e milícias digitais (Inq. 4.784/DF).
O Ministério das Relações Exteriores solicitou ao governo italiano a extradição de Tagliaferro, que deixou o Brasil rumo à Itália após o início das investigações.
Organização criminosa
Eduardo Tagliaferro foi exonerado do TSE em maio de 2023, após ser preso e acusado por violência doméstica contra a esposa. A PGR o denunciou por múltiplos crimes, incluindo violação de sigilo funcional e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. As penas somadas podem chegar a 22 anos de prisão.
Tagliaferro aproximou-se nos últimos tempos de blogueiros de extrema-direita, entre eles, Allan dos Santos, Oswaldo Eustáquio – também foragidos da justiça por difusão de notícias falsas – e o português Sérgio Tavares. Em recente entrevista ao portal Metrópoles, Eduardo Tagliaferro disse que suas denúncias foram repassadas ao Departamento de Estado dos EUA.
Na denúncia contra o ex-assessor de Alexandre de Moraes, o procurador-geral Paulo Gonet afirma que ele agiu “de maneira livre, consciente e voluntária” para “atender a interesses ilícitos de organização criminosa responsável por disseminar notícias fictícias contra a higidez do sistema eletrônico de votação e a atuação do STF e TSE, bem como pela tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito”.
Por meio de sua assessoria, Alexandre de Moraes emitiu nota na qual reafirma que todos os procedimentos adotados à época da denúncia do ex-assessor eram legais e foram tratados e comunicados à Procuradoria Geral da República.
Confira a nota em anexo pelo link https://www.cnnbrasil.com.br/politica/moraes-rebate-denuncia-de-ex-assessor-que-o-acusou-de-adulterar-documentos/
(*) Ícone – símbolo ou imagem sagrada de uma divindade.
Por Henrique Acker (jornalista e colunista) com informações de CNN Brasil, BBC Brasil, O Tempo e Gazeta do Povo



