Falta de saneamento básico expõe má qualidade de vida no Brasil

Por Henrique Acker      –    A falta de acesso à água potável ainda atinge 16,9% dos brasileiros e 44,8% não possuem coleta de esgoto. As conclusões são do Ranking do Saneamento, realizado anualmente pelo Instituto Trata Brasil, a partir de dados dos 100 municípios mais populosos do país, coletados com base no Sistema Nacional de Informações em Saneamento (SINISA).

Realizado desde 2007, o estudo revela as fragilidades do sistema e o baixo investimento das prefeituras em saneamento básico, o que se reflete na qualidade de vida da população. As consequências são problemas nas áreas da saúde, produtividade no trabalho, valorização imobiliária, turismo, entre outros, impactando profundamente o desenvolvimento socioeconômico do país.

 

Melhores investem menos que o necessário

Com base no estudo, os 20 melhores municípios mais populosos do Brasil apresentaram um investimento anual médio com saneamento no período de 2019 a 2023 de R$ 176,39 por habitante.

Ainda assim o gasto nessas cidades fica cerca de 20% abaixo dos R$ 223,82 por habitante, patamar médio necessário para a universalização dos serviços, de acordo com o Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB).

Dos 20 melhores municípios do Ranking de 2025, nove são do estado de São Paulo, cinco são do Paraná, três são de Minas Gerais, dois são de Goiás e um é do Rio de Janeiro. Das cidades analisadas, somente cinco capitais apresentam ao menos 80% de tratamento de esgoto: Curitiba (PR), Brasília (DF), Boa Vista (RR), Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA);

 

 

 

Oito capitais entre as piores

Entre os 20 piores municípios classificados em 2025, oito são capitais de seus estados: Recife (PE), Maceió (AL), Manaus (AM), São Luís (MA), Belém (PA), Rio Branco (AC), Macapá (AP) e Porto Velho (RO). Com destaque para quatro das cinco capitais da Região Norte.

Dos 20 piores municípios do Ranking de 2025 de saneamento básico, quatro são do Rio de Janeiro, quatro de Pernambuco e três são do Pará. Do restante, quatro pertencem à macrorregião Norte, três situam-se na região Nordeste, um no Centro-Oeste, e outro, na região Sudeste.

Os 20 piores municípios em saneamento tiveram um investimento anual médio no período de 2019 a 2023 de R$ 78,40 por habitante, cerca de 65% abaixo do patamar médio necessário para a universalização dos serviços, de R$223,82.

 

Tratamento de esgoto crítico

Os indicadores de esgotamento sanitário continuam preocupantes. O atendimento total de esgoto nos 100 municípios analisados apresentou média de 77,19%.

Embora 38 municípios tenham alcançado 90% de cobertura total, o número de municípios com desempenho crítico ainda é expressivo. É o caso de Santarém (PA), por exemplo, com apenas 3,77% de atendimento total.

Esse quadro se reflete também no indicador de tratamento de esgoto: a média foi de apenas 65,11%, com cinco municípios ainda reportando valores abaixo de 10% de tratamento.

 

 

 

Perdas de água acima do limite

Os resultados obtidos reforçam a quase universalização do abastecimento de água nos municípios analisados. A média de atendimento total nos 100 maiores municípios brasileiros foi de 93,91%.

Ainda assim, permanecem desafios importantes: 10 dos 100 municípios analisados ainda possuem menos de 80% de cobertura total, e Porto Velho (RO), apresentou o pior desempenho, com apenas 35,02% de atendimento.

Em relação à eficiência operacional, os dados revelam altos níveis de perdas de água. A média de perdas na distribuição para os 100 maiores municípios foi de 45,43%, acima do limite de 25% definido pela Portaria nº 490/2021 como parâmetro ideal. Isso indica um desperdício significativo de recursos e ineficiência sistêmica em boa parte dos municípios. Maceió (AL), por exemplo, possui índice de perdas de 71,73%.

 

Saneamento deve ser tema da COP-30

Luana Siewert Pretto, Presidente Executiva do Instituto Trata Brasil, vê na COP-30, a ser realizada de 10 a 21 de novembro, em Belém, é uma janela para que sejam discutidos os temas da água e saneamento. Será a oportunidade para “que se encaminhem soluções coletivas que vão de encontro à universalização dos serviços no menor tempo possível”.

O Estudo do Instituto Trata Brasil abrange somente as 100 cidades mais populosas do país, o que corresponde a 65,7 milhões de pessoas (31% da população brasileira). Portanto, analisa um universo das maiores cidades brasileiras, sem retratar a situação nos menores municípios.

O Ranking de 2025 reforça o papel central do saneamento como política pública estratégica para a melhoria da saúde pública, da educação e da produtividade econômica no Brasil. Também evidencia que, para que o país atinja a universalização até 2033, conforme determina o Novo Marco Legal do Saneamento.

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Nota: O Instituto Trata Brasil (ITB), em parceria com GO Associados, publica a 17ª edição do Ranking do Saneamento com o foco nos 100 municípios mais populosos do Brasil. Para produzir o ranqueamento, foram levados em consideração os indicadores mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), ano-base 2023, publicado pelo Ministério das Cidades, além de uma ponderação de pesos na evolução dos indicadores estabelecida em metodologia criada em parceria com a consultoria GO Associados. (Fotos: Reprodução)

 

Fontes:    A Q U I        A Q U I 

 

 

 

Por Henrique Acker (jornalista e colunista)

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