A antecipação em relação à acusação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que deverá ser apresentada pela Procuradoria Geral da República (PGR) em breve, resultou no adiamento mais uma vez do jantar entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O evento estava programado para acontecer em dezembro do ano passado, na residência do presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, semelhante ao que foi realizado em dezembro de 2023. No entanto, a reunião não pôde ser realizada por causa de uma cirurgia de emergência que Lula teve que fazer na cabeça.
Após o término do recesso, Barroso buscou agendar uma nova data. Apesar de não haver confirmação oficial do STF, havia a previsão de que a reunião aconteceria nesta quarta-feira (19). No entanto, com a proximidade da denúncia contra Bolsonaro pela PGR, a reunião voltou a ser suspensa.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também recebeu um convite, mas indicou a pessoas próximas que não participará para “prevenir críticas”. Atualmente, ele está finalizando o documento de acusação que será enviado ao ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo caso sobre a conspiração golpista no STF.
Conforme informações de pessoas próximas a Gonet, ele se encontraria em uma situação desfavorável, independentemente da decisão: ao revelar a denúncia antes do jantar, enfrentaria reprovações por discutir o tema com os ministros responsáveis pela avaliação do caso; ao optar por fazê-lo após o jantar, surgiriam especulações na mídia sobre um possível vazamento de dados antecipados.
Dessa forma, a percepção geral, mesmo entre os membros do Supremo, é de que é necessário esperar. A acusação deverá ser submetida à Corte pela Procuradoria-Geral da República até o final deste mês, com a expectativa de que o julgamento na Primeira Turma ocorra ainda no primeiro semestre, resultando na formalização de Bolsonaro como réu no caso.
Lula e os integrantes do STF já se encontraram em ocasiões anteriores. Em dezembro de 2023, na residência de Barroso, apenas Cármen Lúcia e André Mendonça não estiveram presentes. O propósito do anfitrião era promover um encontro descontraído, que afastasse a atmosfera “séria” das cerimônias e eventos formais em Brasília.
No ano anterior, ocorreu um evento parecido na residência do ministro Gilmar Mendes, que é o mais velho do STF, no mês de abril. Cinco meses mais tarde, após as manifestações de 7 de Setembro, o presidente organizou um churrasco no Palácio da Alvorada, com a participação de alguns ministros do tribunal, incluindo Barroso, Moraes e Gilmar. (Foto: O Globo)