EUA e Irã: mediadores veem “progressos encorajadores”

Henrique Acker  –  Apesar das ameaças de Donald Trump e dos ataques de Israel ao Líbano, as negociações entre Irã e EUA foram retomadas no domingo (21/6), depois da retirada da representação iraniana das conversações na Suíça, na sexta-feira, 19/6. “O que o encontro de hoje realmente representa é o início de uma negociação técnica que não resolverá todas as divergências”, alertou em coletiva de imprensa J.D. Vance, vice-presidente dos EUA.

No entanto, numa declaração conjunta nesta segunda-feira, 22de junho, mediadores do Catar e do Paquistão informaram num tom otimista que “progressos encorajadores foram alcançados, incluindo a criação de um mecanismo para futuras conversas técnicas” nos próximos 60 dias.

Os mediadores anunciaram que os dois lados estabeleceram uma linha de comunicação para evitar incidentes e erros de cálculo, com o objetivo de garantir a passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz. Também foi criada uma “célula de desconflito” envolvendo as partes e o Líbano, com o objetivo de garantir o cumprimento do cessar-fogo na região.

 

Israel segue bombardeando o Líbano

J.D. Vance e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, participaram das primeiras reuniões na Suíça, previstas para durar até 60 dias, visando o fim do conflito e um acordo final de paz entre os dois países.

Em publicação na rede social X, o ministro iraniano reconheceu que “as exportações de petróleo e produtos petroquímicos foram suspensas, o bloqueio foi levantado, alguns ativos congelados (pelos EUA) foram liberados e um importante plano de reconstrução e desenvolvimento foi lançado para o Irã”.

O ambiente ficou tenso na sexta-feira, 19 de junho, após a declaração de Trump nas redes sociais de que poderia tomar o Estreito de Ormuz e voltar a bombardear o Irã. Segundo fontes do governo dos EUA, Trump se referiu a ameaças do Irã de fechar Ormuz, impedindo a passagem de navios petroleiros, caso Israel não parasse com os ataques ao Líbano.

Só em 19 e 20 de junho os bombardeios israelenses no Líbano provocaram 70 mortes e centenas de feridos. O número de mortos no Líbano desde2 de março atingiu 4.106, com um total de 12.153 feridos, segundo dados divulgados pelas autoridades libanesas no domingo.

Nesta segunda, 22 de junho, o governo de Israel voltou a tensionar o ambiente e a ameaçar o avanço das negociações de paz para o Oriente Médio. Num vídeo divulgado por seu gabinete, Benjamin Netanyahu, anunciou que deu ao exército israelense “total liberdade de ação para frustrar qualquer ameaça direta ou iminente” procedente do Líbano.

 

Ameaças e eleições

Três superpetroleiros totalmente carregados apareceram no Golfo de Omã no domingo. As embarcações, indicando propriedade indiana ou carga destinada à Índia, transportam cerca de seis milhões de barris de petróleo iraquiano e kuwaitiano. De acordo com informações da Agência Bloomberg, a tentativa dos petroleiros de navegar em direção à Ilha de Qeshm, no Golfo Pérsico, sugere que os navios podem ter seguido uma rota aprovada por Teerã.

Analistas políticos internacionais observam que as ameaças de Trump e os bombardeios de Israel no Líbano, em pleno processo de negociações com o Irã, têm a ver com a influência que o resultado da guerra e os acordos de paz com o Irã podem ter nas eleições dos EUA (3/11) e em Israel (27/10) ainda este ano.

No caso de Trump, o conflito com o Irã está associado ao aumento dos combustíveis nos EUA, à elevação do custo de vida para os estadunidenses e à subida dos preços ao consumidor. Já para Netanyahu, os ataques do Irã ao território israelense e o cessar-fogo no Líbano podem ser encarados pelo eleitorado como um fracasso da estratégia de seu governo para a segurança do país.  (Foto: Reprodução)

Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações de Observador (Portugal), InfoMoney, Al-Jazeera e Agência Reuters, Exame e Agenda do Poder.  

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