Eleitores independentes e apoiadores da direita que não são ligados a Bolsonaro diminuíram o respaldo ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), contribuindo para que o presidente Lula (PT) aumentasse sua vantagem nas projeções eleitorais de 2026. Essa informação é baseada na análise do professor e diretor da Quaest, Felipe Nunes, a partir da nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10).
Nas simulações do primeiro turno, Lula registra 39%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 29%, resultando em uma diferença de 10 pontos percentuais.
O estudo realizado pela Genial/Quaest, encomendado pela Genial Investimentos, consultou 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre 5 e 8 de junho de 2026. A margem de erro registrada é de 2 pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%. O levantamento foi documentado com o número BR-07661/2026.
Segundo Felipe Nunes, o movimento bolsonarista permanece sólido em torno de Flávio Bolsonaro, mas outras correntes da direita não apresentam o mesmo apoio. “O bolsonarismo se mantém forte com Flávio (94%), mas note que a direita sem ligação ao bolsonarismo demonstra estar bem menos inclinada a apoiar Flávio no primeiro turno”, declarou o diretor da Quaest em uma análise divulgada no X.
De acordo com ele, esse conjunto de pessoas já começa a se fragmentar em relação a distintos candidatos. “Atualmente, 11% deles manifestam intenção de votar em Renan, 10% em Lula e 6% em Caiado”, relatou Nunes. No panorama do primeiro turno, tanto Renan Santos quanto Ronaldo Caiado registram 3% das preferências. Aécio Neves e Romeu Zema têm 2% cada um, e os que ainda não decidiram totalizam 10%.
Mudança de cenário no segundo turno
A alteração mais significativa mencionada por Felipe Nunes se dá entre os eleitores sem partido definido. Na projeção para um eventual segundo turno, Lula supera Flávio Bolsonaro com 44% contra 38%, o que representa uma vantagem de seis pontos percentuais. De acordo com o diretor da Quaest, “a transformação mais notável ocorreu entre os independentes, que mudaram seu apoio de Flávio para Lula”.
No segmento desse eleitorado, Lula apresenta 37%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 24%. Além disso, 30% afirmam que optariam por votar em branco, anular ou não participar da votação, enquanto 9% estão indecisos. Esse panorama indica que o eleitorado independente, visto como crucial para a eleição, está demonstrando maior apoio ao presidente em relação ao senador.
Nunes destacou a queda na popularidade de Flávio entre os eleitores da direita que não apoiam Bolsonaro. Nesse segmento, o senador viu seu apoio diminuir de 88% para 82%. “É notável a redução que Flávio experimenta entre os conservadores que não são bolsonaristas”, comentou.
Terceira via continua emperrada
Embora Flávio Bolsonaro tenha enfrentado um declínio em áreas significativas, a avaliação de Felipe Nunes indica que outros representantes da direita ainda não conseguem se destacar o suficiente para desafiar Lula de maneira mais eficaz. “Os demais nomes da direita, portanto, não conseguem elevar seu desempenho a um nível que os torne mais competitivos do que Flávio”, afirmou.
Em uma simulação envolvendo Romeu Zema (Novo), Lula apresenta 45% das intenções de voto, enquanto o ex-governador de Minas Gerais contabiliza 35%. Em uma disputa com Ronaldo Caiado (PSD), o presidente também marca 45%, enquanto Caiado se mantém com 35%. Zema experimentou uma queda nas últimas semanas, enquanto Caiado permaneceu constante nas três últimas pesquisas.
Menos competitivo
Renan Santos (Missão) foi o candidato que mais progrediu entre os testados, mas ainda está atrás de Flávio em termos de competitividade contra Lula. “Renan Santos tem apresentado um desempenho crescente na simulação de segundo turno, alcançando 31%, seu melhor resultado até agora. No entanto, ainda se mostra menos competitivo do que Flávio”, declarou o diretor da Quaest.
O estudo também avaliou o nível de conhecimento, a capacidade de voto e a rejeição de figuras políticas em nível nacional. De acordo com Felipe Nunes, Lula apresentou um aumento de um ponto em seu potencial de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registrou uma queda de dois pontos na sua rejeição. A investigação ressalta que os outros candidatos continuam a ser amplamente desconhecidos pelos eleitores.
No estudo, Lula é mencionado com 45% de eleitores que afirmam conhecê-lo e que optariam por seu voto, enquanto 2% o não conhecem e 53% o conhecem, mas não pretendem votar nele. Flávio Bolsonaro apresenta 39% de chance de receber votos, 5% de desconhecimento e 56% de descontentamento. (Foto: Montagem / Reprodução)
Por Opinião em Pauta com dados extraídos do X



