Debate na BAND: provocações e perguntas sem respostas

Henrique Acker –    As presenças do influenciador Pablo Marçal e dos deputados Nikolas Ferreira e Lucas Pavanatto no grupo que assessorava Flávio Bolsonaro foram uma pista do que viria durante o debate presidencial de domingo, 18/10, promovido pela Rede Bandeirantes.

O tom debochado de Flávio e o formato do encontro, com “confrontos” diretos entre os candidatos, fizeram com que o evento descambasse para um clima tenso e uma espécie de vale-tudo eleitoral. O debate atingiu cerca de 5,4 milhões de aparelhos de TV e no YouTube, pela internet, chegando a superar a audiência do Fantástico, da Globo.

O portal Aos Fatos fez uma checagem das declarações dos dois candidatos durante o debate. Flávio faltou com a verdade em 21 das 26 afirmações que fez. O candidato Lula, por sua vez, também não disse a verdade por duas vezes em 23 argumentações.

 

Dinheiro de Vorcaro

No primeiro bloco, Lula insistiu na pergunta sobre o destino dos R$ 134 milhões que Flávio pediu a Daniel Vorcaro (Banco Master). Para contra-atacar, trouxe para o debate a pergunta sobre Roberta Luchsinger. Lula minimizou a questão, afirmando que o problema dela seria com a Polícia Federal.

Desde o início, Flávio Bolsonaro permaneceu dentro do enquadramento da câmera, por trás do adversário, enquanto Lula falava. Uma tática para desconcentrar o presidente e dispersar a atenção do espectador.

O debate descambou para acusações de lado a lado. Flávio provocou Lula, afirmando que, quando o presidente repetisse a palavra “sabe” e olhasse para cima, seriam sintomas de nervosismo.

O comportamento do candidato da extrema-direita desconcentrou Lula em algumas passagens, que aceitou as provocações. Como se diz no futebol, Flávio Bolsonaro foi para empatar e Lula perdeu a oportunidade de fazer a diferença e virar o jogo.

 

Voto dos presidiários

Flávio seguiu sem responder às perguntas que o incomodavam, como qual motivo o levara a defender o policial que matou a tiros uma menina de cinco anos e por que defendeu o projeto de raspagem dos números de identificação de munições de pistolas e fuzis.

Também ficou sem resposta o questionamento de Lula sobre as propostas de Flávio para o salário-mínimo, as aposentadorias e a relação com o governo de Donald Trump.

Flávio acusou Lula de defender bandidos e ter sido muito bem votado nas cadeias. Lula respondeu que aceita os votos dos presidiários, “inclusive do seu pai”, referindo-se a Jair Bolsonaro.

Lula aproveitou para perguntar a Flávio o que o levou a mudar de ideia e votar na proposta do fim da escala de trabalho 6×1, se o seu partido (PL) já anunciou que vai levar adiante outra proposta. Flávio respondeu que voltou atrás por respeitar o desejo dos trabalhadores.

 

Quebra dos sigilos bancário e telefônico

Enquanto Lula preferiu defender as realizações de seu governo e apontar para o eleitor algumas medidas já em andamento, Flávio prometeu mudar a vida do brasileiro com a criação de um ministério da prosperidade, o uso de tecnologia digital nos serviços de saúde e o financiamento barato a pequenos e microempreendedores.

O melhor momento de Flávio foi na questão da segurança pública, quando repetiu o enredo de tiro, porrada e bomba, visando limpar a área para o “cidadão de bem”, o que agrada ao seu eleitorado. E prometeu abrir mais de 500 mil vagas nas prisões.

Já Lula teve sua melhor passagem quando desafiou Flávio a juntos abrirem seus sigilos bancário e telefônico antes do segundo turno da eleição, sem obter resposta do adversário.

Difícil afirmar que um dos dois tenha conquistado a preferência do eleitorado indeciso. O que ainda pode decidir o voto desse eleitor é o desempenho dos candidatos no debate da TV Globo, marcado para a sexta-feira, 23 de outubro, às 21:20h. (Foto: Reprodução)

Por Henrique Acker (jornalista e colunista)

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