A CPMI do INSS deliberou em reunião nesta quinta-feira (4) pela convocação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e do banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, que terá seu sigilo telemático rompido.
O vice-líder do PT na Câmara, deputado Rogério Correia (Novo-MG), que é o autor do pedido, defende que o governador de Minas Gerais seja convocado, destacando que a Zema Financeira “recebeu vantagens da Medida Provisória nº 1.106, de 17 de março de 2022, do Governo Bolsonaro, que mais tarde foi transformada na Lei nº 14.431, de 3 de agosto de 2022, permitindo a realização de consignações nos benefícios do Programa Auxílio Brasil (PAB) para a quitação de empréstimos”.
Em nome da bancada governista, Correia apresentou diversas indícios que conectam o governador de Minas Gerais ao escândalo relacionado às fraudes envolvendo aposentados e pensionistas.
“Em 22 de outubro de 2018, após as eleições, o governador Zema deixou a direção da financeira para evitar conflitos de interesse na administração estadual. Contudo, ele ainda detém 16,41% das ações, seu pai, 59%, e seu irmão, 16,41%. Luciana Zema, sua irmã, possui 16,18%. Somando todas essas participações, a família Zema detém 100% da financeira. O presidente da financeira, na mesma data em que Zema deixou a diretoria, recebeu do governo Bolsonaro a incumbência de gerenciar a concessão de consignados para beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e do Auxílio Brasil. A financeira, na qual a família Zema possui total controle, foi responsável por essa operação. Quatro anos depois, Zema ainda estava, evidentemente, ligado à financeira”, afirmou o deputado.
Segundo Correia, a quantidade de reclamações sobre operações financeiras é significativa.
“Desejamos saber quem negociou com a financeira Zema, que é apenas uma de onze financeiras envolvidas. Queremos saber quem incluiu a financeira Zema nessas operações. Não pode haver blindagem. Da mesma forma, não se pode blindar outras financeiras que aparentam estar agindo de forma irregular”, explicou.
Zema chegou a enviar um ofício à CPMI para tentar evitar a convocação, que foi lido pelo presidente da Comissão, o bolsonarista Carlos Viana (Podemos-MG).
“Por isso, acredito que o governador Zema teme ser convocado. Ele enviou um ofício pedindo que não fosse convocado, solicitando que o processo não fosse conduzido dessa forma. Solicito que a convocação seja realizada de maneira cuidadosa. Precisamos esclarecer a situação dos consignados do BPC e do Auxílio Brasil, que envolveram nove bilhões de reais”. (Foto: Reprodução)
Por Opinião em Pauta com informações da CBN


