COP30: Liderança indígena chama Helder Barbalho de “farsa”

Na segunda-feira, 10,  primeiro dia da 30º. Conferência do Clima da ONU, em Belém, o transcorrer das atividades foi marcado pela intervenção da líder indígena Auricélia Arapiun, do Baixo Tapajós, que interrompeu solenidade presidida pelo governador Helder Barbalho, acusando-o de “farsa”.

O incidente ocorreu no exato momento em que Helder assinava um acordo de cooperação com a empresa Hydro, do setor de alumínio, para execução de ações estratégicas que fortalecem o Programa Estadual de Prevenção e Combate às Queimadas e Incêndios Florestais (PEPIF).

A mineradora Norsk Hydro  é alvo de ação internacional que pede  reparos às famílias afetadas pela produção de alumínio no Pará, após episódio em 2018 conhecido como ‘caso Hydro’, ocasião em que foram detectados vazamentos de lixo tóximo despejado pela mineradora norueguesa no rio Murucupi, em Barcarena.

“Helder é uma farsa”

A solenidade foi interrompida quando, aos gritos, Auricélia Arapiun disse:  “Mais um projeto para destruir nossas vidas e nosso território. Mais um projeto de mineração. Mais um projeto que derrota as terras indígenas no estado do Pará. O Hekder Barbalho é uma farsa”.

Confira no vídeo abaixo:

 

Caso Hydro

 A mineradora Norsk Hydro é acusada de contaminar rios do Pará, especialmente na região de Barcarena, através do despejo de rejeitos tóxicos de suas operações de alumínio. As acusações incluem a transbordamento de uma bacia de rejeitos tóxicos e a utilização de “tubulações clandestinas” para descarte de efluentes. As consequências alegadas pelas comunidades incluem problemas de saúde, como doenças de pele, câncer e problemas de estômago, e um processo coletivo corre na justiça holandesa contra a empresa.

Comunidades alegam ter sofrido problemas de saúde, como doenças de pele, câncer e problemas estomacais.

 

Judicialização

Um processo coletivo foi movido por nove pessoas e pela Associação Cainquiama na Holanda, que representa mais de 11 mil moradores, que acusam a Norsk Hydro e suas subsidiárias (Alunorte, Albras e Paragominas) de contaminação. A justiça holandesa decidiu que as comunidades são representantes legítimas e o processo continuará avaliando se a empresa é responsável pelos impactos ambientais e sociais.

A Justiça Federal no Pará também condenou a Norsk Hydro a pagar R$100 milhões por danos ambientais em uma ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF).

 

Atuação da Hydro no Pará

No Pará, a Hydro possui três instalações, incluindo a mina de bauxita de Paragominas; a refinaria Alunorte em Barcarena, onde a bauxita é transformada em alumina; e a Albras, onde as fundições transformam alumina em alumínio.

Em 2018, a Hydro chegou a se desculpar pelo que chamou de liberação “completamente inaceitável” de água não tratada durante fortes chuvas na região da Alunorte, mas negou que isso tenha resultado na contaminação do meio ambiente local.

O Instituto Evandro Chagas realizou coletas de solo e água nas comunidades que ficam ao redor da Hydro e após análise em laboratório foi constatado alteração nos elementos químicos presentes no solo, além da presença de metais pesados e cancerígenos como chumbo.

A liberação não autorizada de água fez com que autoridades e a Justiça a exigissem que a Hydro cortasse a produção de alumina da Alunorte, provocando o desligamento parcial da Albras e resultando em interrupções que duraram mais de quinze meses. (Foto: Ag.Pará)

Por Opinião em Pauta, direto do Parque da Cidade

Relacionados

plugins premium WordPress