Glauco Alexander Lima – A chamada zona verde, Green Zone em inglês, é o espaço da Conferencia das Nações Unidas para a sociedade civil. É aberto, não precisa ser credenciado, nem autoridade para entrar. O que se vê nessa imensa zona é um fluxo enorme de pessoas e stands que vão de organizações não-governamentais a grandes corporações capitalistas. Indígenas e camponeses de várias origens circulam entre espaços ocupados por bancos, governos, empresas, associações, fundos de investimento e várias tipos de instituição. A diversidade humana é grande e, a de interesses, muito maior. O que fica claro a cada COP é que debater mudança climática, aquecimento da temperatura, eventos climáticos severos, é inevitavelmente debater o capitalismo, a economia de mercado, a exploração da natureza para produzir riqueza e a distribuição dessa riqueza. Portanto fica clara a complexidade do que está em jogo numa reunião anual dos países signatários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC).
De Berlim a Belém: COP e comunicação
A primeira COP aconteceu em 1995, em Berlim, na Alemanha. De lá para cá já se vão uns 30 anos. Nessas três décadas o mundo mudou muito, mas nada mudou tanto como o mundo da comunicação e da mídia. Dos anos 1990, onde a COP ficava restrita a publicações especializadas em meio-ambiente, alguma coisa nos grande jornais, revistas e televisões, aos dias de hoje, onde cada pessoa é uma emissora de conteúdos audio-visuais, a visualidade da COP ganha possibilidades muito mais efetivas de impactar mais e mais pessoas, gente que antes nem tinha ideia da existência desse evento. Vivemos o tempo da comunicação muitos para muitos, onde cada um repercute o que lhe interessa e amplifica o que as vezes era oculto. Na COP 30 em Belém o que se percebe é cada vez mais forte o ativismo digital, com falas e atos que muitas vezes são mais para ganhar o engajamento pelo engajamento, do que para ir fundo nas causas das infernais mudanças climáticas que abalam nossas vidas cotidianas.
Mudança climática é mudança pra pior?
O planeta sempre viveu de mudanças. Eras glaciais, secas, chuvas intermináveis, ventos que redesenharam desertos e florestas. Tudo fazia parte de uma coreografia perfeita — o clima dançava no ritmo da própria Terra. A neve, o sol, as marés e os igarapés cumprem papéis indispensáveis no equilíbrio da vida. Cada elemento é um elo de uma corrente invisível, que conecta o alto das montanhas ao fundo dos oceanos. A natureza, em seu tempo, sempre soube o que fazia. O problema é que o ser humano resolveu acelerar o relógio do planeta. Essa é a grande questão da COP 30, essa interação que está escangalhando o clima.
Quando o relógio desandou
Desde a Revolução Industrial, a lógica do progresso veio acompanhada de uma conta alta: o desequilíbrio do clima. Fábricas, motores, queimadas e consumo desenfreado despejaram gases, líquidos e resíduos que a Terra não consegue mais processar. O resultado é conhecido: o planeta aquece, os mares sobem, as secas se prolongam, as enchentes se multiplicam. As mudanças climáticas atuais não são as naturais — são as provocadas. São mudanças para pior, porque ferem o equilíbrio que sustentava a vida. A crise climática é, antes de tudo, uma crise civilizatória: do nosso modo de produzir, consumir e existir. Isso também faz o clima dos debates sobre o tema esquentar.
Belém, capital do aviso
Ao sediar a COP 30, Belém não apenas recebe o mundo — ela o adverte. Da confluência dos rios e das florestas amazônicas, ecoa um lembrete global: a Amazônia não é o problema, é parte essencial da solução. É aqui, onde a natureza ainda fala alto, que o planeta se reencontra consigo mesmo. A COP 30 é mais do que uma conferência: é uma chance de mudar a relação entre humanidade e planeta, de substituir a pressa pela harmonia. Porque se a natureza é perfeita, o que falta aperfeiçoar são as relações na economia de mercado, a distribuição da riqueza gerada pela exploração de recursos naturais . É justo que, quem mais ganhou dinheiro com a devastação da natureza, contribua bem mais com verbas para minimizar o sofrimento com o aquecimento e as tragédias do clima. (Foto: COP30



