Mais de 200 embarcações tomaram a Baía do Guajará, em Belém, na manhã desta terça-feira (12), na barqueata que abriu simbolicamente a Cúpula dos Povos, o principal evento paralelo à COP 30. O cortejo fluvial começou na Universidade Federal do Pará (UFPA) e seguiu até a Vila da Barca, bairro de palafitas que expõe, sem filtros, as contradições de uma cidade que tenta conciliar discurso ambiental e desigualdade social.
Durante cerca de duas horas, ribeirinhos, indígenas, quilombolas e ativistas de vários países transformaram o rio em palco de reivindicação política e expressão cultural. Cânticos, faixas e cartazes pediam proteção à floresta e justiça climática.
Entre os barcos, chamou atenção a “Caravana da Resposta”, que percorreu mais de três mil quilômetros desde o Mato Grosso até Belém, reunindo lideranças como o cacique Raoni Metuktire e a ativista Alessandra Korap Munduruku. A travessia simbolizou a resistência dos povos da floresta diante do avanço do desmatamento e das promessas ainda não cumpridas de preservação.
Organizadores definem a barqueata como um “manifesto fluvial”, uma resposta visual e política ao colapso ambiental que ronda a Amazônia. “As águas da Amazônia estão trazendo as vozes que o mundo precisa ouvir”, afirmou o equatoriano Líder Góngora, da Comissão Política da Cúpula dos Povos.
No horizonte, entre o brilho dos barcos e o calor úmido da manhã paraense, ficou clara a mensagem: a COP30 pode ter sede em Belém, mas o protagonismo foi todo das vozes vindas das águas. Para o senador Beto Faro (PT) foi um momento único: “ a barqueata teve o objetivo de mostrar ao mundo não só as belezas da Amazônia , mas os desafios e reivindicações da nossa gente” afirmou. (Foto: Reprodução)



