Consumo: Isenção do IR deve injetar até R$ 28 bi na economia

A aprovação da proposta do governo Lula (PT) que aumenta a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para rendimentos mensais de até R$ 5 mil deve proporcionar um alívio financeiro à classe média e impulsionar o consumo no ano seguinte. Além disso, a proposta diminui a carga tributária para salários de até R$ 7.350, o que pode ter um efeito considerável no crescimento econômico.

Conforme informado pelo jornal O Globo, a nova tabela, que recebeu aprovação do Senado e foi enviada para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem o potencial de injetar entre R$ 20 bilhões e R$ 28 bilhões na economia em 2026. O projeto estabelece uma alíquota mínima de 10% para rendimentos acima de R$ 50 mil por mês, assegurando a compensação fiscal necessária.

Os beneficiados

Apesar de o governo afirmar que a alteração tem como objetivo beneficiar os mais necessitados, dados da Tendências Consultoria revelam que a maior repercussão afetará os contribuintes de classe média. Atualmente, a faixa de isenção cobre rendimentos de até R$ 3.036 — o que corresponde a dois salários mínimos. A pesquisa aponta que 51% dos favorecidos estão na região Sudeste, especialmente em São Paulo, enquanto as regiões Norte e Nordeste terão um impacto restrito, com apenas 5,7% e 13,4% dos beneficiados, respectivamente.

O grupo de contribuintes que interromperá o pagamento do imposto é, predominantemente, composto por homens brancos, trabalhadores com registro em carteira no setor privado e que possuem diploma de ensino superior. “Esses indivíduos não se enquadram na categoria de baixa renda”, destaca o economista Thiago Xavier, da Tendências, que é coautor da pesquisa ao lado de Giuliana Folego.

Organizar as finanças e aliviar o bolso

Para diversos brasileiros, o benefício representa uma oportunidade de reestruturar suas finanças. A professora Fernanda Martins, de 32 anos, residente no Rio de Janeiro, comentou que planeja utilizar a isenção tributária para aplicar na aquisição da casa própria. “Minha renda mensal cobre as despesas fixas, mas sobra muito pouco para qualquer outro tipo de planejamento. Economizar e investir são tarefas bastante desafiadoras. O que resta é mínimo. Essa isenção vai me permitir investir em um imóvel com mais segurança, necessitando de um financiamento menor. Esse valor faz uma grande diferença. Além disso, me proporcionará maior tranquilidade para enfrentar emergências diárias, como a compra de medicamentos, uma atividade de lazer para minha filha, roupas ou utensílios domésticos“, declarou.

De acordo com o economista Paulo Henrique Pêgas, do Ibmec-RJ, uma pessoa com um salário de R$ 5 mil mensais deixará de desembolsar aproximadamente R$ 300 a cada mês, resultando em uma economia anual perto de R$ 3,9 mil, levando em conta o 13º salário. (Foto: Reprodução)

Por Opinião em Pauta com informações da Ag. Folha

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