EXONERAÇÃO
O presidente Lula anunciou nesta quarta-feira (17) a exoneração do ministro do Turismo, Celso Sabino. O anúncio tem a ver com um movimento de cerca de 20 deputados do União Brasil na Câmara dos Deputados, que indicou o nome de Gustavo Damião (UB-PB), filho do deputado federal Damião Feliciano (UB-PB), para ocupar o cargo. A imprensa nacional assegura que a mexida teve o aval do presidente do partido, Antônio Rueda, que se tornou desafeto de Sabino.
MOVIMENTAÇÃO
Com o lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) a presidente, a cúpula do União Brasil viu naufragar a ideia de lançamento do nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a presidente. A atitude, endossada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, dividiu as forças conservadoras e de direita. Ainda que essa movimentação em torno da substituição de Sabino não signifique que o União Brasil passou a apoiar o presidente Lula na sucessão do ano que vem, o gesto representa um armistício no confronto da legenda com o governo.
PRAGMATISMO
Lula, conhecido por seu pragmatismo, entendeu que Sabino não tinha mais influência sobre a bancada. E que sua substituição por alguém indicado por mais de 20 deputados representaria um reforço nas votações que tem a enfrentar no Congresso. Sobretudo porque o pai do próximo ministro é aliado do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Além de representar uma pacificação no relacionamento com a cúpula do União Brasil visando as eleições do ano que vem.
DESTINO
Celso Sabino deve agora reassumir seu mandato de deputado federal. E se preparar para disputar a cadeira do Senado por outro partido. No âmbito do Pará, o União Brasil deve passar para as mãos do governador Helder Barbalho (MDB). O nome cotado para assumir o comando da legenda é o do presidente da Alepa, deputado Chicão, adversário de Sabino o ano que vem. A exoneração ocorre num momento em que o nome do ministro cresce em todas as pesquisas de opinião pública na disputa por uma vaga ao senado.
DECISÃO
Bem nas pesquisas, é inegável que a exoneração representa um baque nas pretensões do ministro. A princípio, ele sai de bem com o presidente Lula. Sem o ministério e sem o União Brasil, Sabino vai ter que pensar bem na hora de escolher o partido ao qual vai se filiar. Até para evitar puxadas de tapete como esta. É preciso que ele tenha absoluta segurança em relação a legenda que for escolher, para não ficar dependente dos caciques políticos nacionais e estaduais.
PESQUISA
Nesta quarta-feira (17), O Liberal publicou pesquisa para o Senado realizada pelo Instituto Paraná. Pelos números, o governador Helder Barbalho (MDB) lidera as intenções de votos, com 55,9%. Ele é seguido pelo ministro Celso Sabino, com 31,4%. Em terceiro lugar vem o senador Zequinha Marinho (Podemos), com 26,1%. O deputado Chicão (MDB) aparece em quarto lugar, com 12,6%. O deputado estadual Rogério Barra (PL) aparece em quinto lugar, com 11,7%. Em relação à última pesquisa do Instituto, Helder subiu de 49,3% para 55,9% e Sabino de 20,7% para 31,4%.

DOIDO
Um dos fatos mais comentados nas redes sociais essa semana foi a operação da Polícia Federal realizada no apartamento do deputado Antônio Doido (MDB) – foto. Ele é um dos alvos da Operação Igapó, que investiga uma organização criminosa suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo empresas que prestam serviços ao Governo do Pará. O fato inusitado da operação é que Doido e sua esposa informaram aos policiais que não tinham telefones em casa. A PF encontrou os dois aparelhos, jogados pela janela, no jardim do prédio. Vem bronca pesada por aí.
EXPECTATIVA
O comentário nos bastidores da política é que janeiro ou no máximo fevereiro duas renúncias podem acontecer e mexer no tabuleiro de xadrez da sucessão estadual. Tanto o governador Helder Barbalho como o prefeito de Ananindeua, Daniel Santos (PSB) podem deixar seus mandatos logo após o carnaval. No caso de Daniel, para se dedicar mais à sua pré-candidatura de governador e no de HB, para dar maior visibilidade à vice-governadora Hana Ghassan (MDB), a escolhida para disputar sua sucessão.
RENÚNCIAS
No âmbito municipal, a atenção está voltada para a renúncia de prefeitos que devem se candidatar ao parlamento. A aposta, por enquanto, é que a prefeita de Marituba, Patrícia Alencar (MDB); o prefeito de Cametá, Victor Cassiano (MDB), e o prefeito de Augusto Correia, Estrela Nogueira (MDB), possam deixar o mandato. Patrícia para concorrer a uma vaga na Câmara Federal e os demais disputando uma cadeira na Assembleia Legislativa.
OPOSIÇÃO
Em Nova Ipixuna não é bom convidar para a mesma mesa o atual prefeito, Everton Macias (MDB), e a ex-prefeita Graça Matos (MDB). O esposo de Graça, Helder Picanço, já está em campo articulando a formação de um bloco de oposição com o candidato derrotado no pleito, Filho Santana, mais conhecido como Filho do Povão (PP). Aquele velho problema de quem sai não gostar das decisões de quem entra está no cerne do afastamento. O time de oposição deve apoiar a candidatura de Celso Sabino ao senado.
ENCRUZILHADA
O PL vive uma disputa interna. Sem muita força na cúpula estadual do partido, o ex-senador Mário Couto (foto abaixo) recorre ao ex-presidente Jair Bolsonaro para tentar garantir sua candidatura a governador. Nas alas comandadas pelo atual presidente, Joaquim Passarinho, e pelo deputado Eder Mauro, os planos parecem ser outros. Ou uma candidatura que não seja a de Couto ou uma aliança com o prefeito Daniel Santos. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, vem ouvindo as partes.

REAÇÃO
A visita de Daniel Santos por Abel Figueiredo, na semana passada, provocou reações na cúpula do governo. Ao assistir a simpatia de lideranças ligadas ao ex-prefeito Hidelfonso Araújo pelo prefeito de Ananindeua, o governador Helder Barbalho chamou Hidelfonso para uma foto no Palácio, ao lado da vice-governadora Hana Ghassan. Empresário forte e respeitado no segmento rural, o ex-prefeito é conhecido pelo livre trânsito que tem nas diversas correntes políticas do Estado.
PRESSÃO
Aliás, nos municípios, a estratégia do governador tem sido garantir ao seu lado os prefeitos e tentar cooptar os derrotados no último pleito, ainda que sejam adversários radicais dos atuais gestores. Para isso não tem faltado a oferta de assessorias e outras promessas que fazem tremer os mais recalcitrantes. Mas em eleição para o governo, quase sempre a maioria da população pende para aquele por quem tem mais simpatia. Ou seja, às vezes esquecem de combinar com os russos, como falou o craque Garrincha ao técnico Vicente Feola, na Copa de 1958.
FEDERAL
Parece que a dúvida sobre o destino político do ex-prefeito Tião Miranda começa a se dissipar. Assistindo a grande quantidade de candidatos competitivos a deputado estadual, filhos de Marabá, Miranda, caso seja candidato, deve optar pela disputa de uma cadeira na Câmara Federal. Em todas as pesquisas que são realizadas no município ele aparece com números significativos, projetando uma votação expressiva para deputado federal. Se essa hipótese ocorrer, o filho Thiago não deve ser candidato a qualquer cargo, se concentrando em viabilizar o projeto do pai.
REPRESSÃO
Nesta quarta-feira (17), a porta da Câmara Municipal de Belém virou palco de guerra por causa de projetos de Lei aprovados pelos vereadores, intitulados pela oposição como “pacote do mal”. Entre eles o aumento do IPTU, a redução de 50% para 25% na porcentagem de cargos comissionados que devem ser ocupados por servidores públicos efetivos, além de alterações no Estatuto do Magistério e no dos Servidores Públicos, com prejuízo para as categorias. Os protestos foram liderados por sindicatos, vereadores e ex-vereadores de oposição.
PRISÃO
O Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA) decretou a prisão preventiva do prefeito de Santa Maria do Pará, Alcir Costa da Silva (PSD). Além dele, mais três pessoas investigadas por suspeita de participação em esquema criminoso, desvio de recursos e lavagem de dinheiro -, também tiveram detenção determinada pela Justiça: Cláudio Ribeiro Júnior, Coordenador do Controle Interno da prefeitura; Fábio Junior de Lima, assessor jurídico e Creone Chaves Goés, apontado como operador financeiro do suposto esquema.
FRASE
Sun Tzu (estrategista chinês): “Toda guerra é baseada em engano”


