CNU: Norte fica na lanterna de interesse por concurso federal

OP – Brasília    –   A julgar pelos números da segunda edição do Concurso Nacional Unificado (CNU), o “Enem dos concursos” ainda está longe de ser o grande instrumento de inclusão nacional que o governo prometeu. O total de inscritos caiu para 761.528 em 2025 — uma retração de 64% em relação aos 2,1 milhões registrados no ano passado. Os dados foram divulgados neste sábado (26) pelo próprio governo.

O que chama a atenção não é apenas o tombo geral nas inscrições, mas a distribuição geográfica dos candidatos: o Norte do país aparece na última colocação, com apenas 84.651 inscritos, menos de 12% do total. A região Sul também teve participação tímida (48.733), enquanto Sudeste e Nordeste concentram a maioria, com 247.838 e 229.436 inscritos, respectivamente. O Centro-Oeste somou 150.870.

O estado do Rio de Janeiro lidera em volume absoluto, com 108.838 candidatos. Mas o dado isolado não mascara o problema estrutural: o CNU parece reproduzir e até acentuar desigualdades regionais históricas no acesso a oportunidades do serviço público.

O governo tem argumentos prontos: número menor de órgãos participantes, menos cargos ofertados, calendário apertado. Tudo isso ajuda a explicar a queda. Mas não explica o desinteresse de regiões como o Norte do país.

Anunciado como um passo rumo à democratização do serviço público federal, o CNU parece, por ora, repetir a velha lógica: quem tem mais acesso, concorre mais. Quem está longe, continua longe. (Foto: Reprodução)

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