A Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan) organizou uma audiência no Congresso Nacional com o intuito de discutir o futuro das políticas afirmativas na indústria cinematográfica. O evento, chamado pela Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, reuniu deputados, figuras influentes do setor audiovisual e membros da sociedade civil.
As conversas em Brasília acontecem em um contexto que a Apan vê como um “momento decisivo” para o setor audiovisual no Brasil. De um lado, observam-se avanços recentes nas políticas públicas; do outro, existe o desafio de assegurar a reparação histórica e fortalecer uma indústria que realmente represente a diversidade e a força da população negra, que é a maioria no país, pondera Tatiana Carvalho Costa, presidente da Apan.
Segundo a líder da associação, este é um momento crucial para fomentar uma discussão pública que possa engajar diversos segmentos da política no país.
“A realização dessa audiência pública teve um papel fundamental, especialmente agora que se analisa a reparação histórica. Esse evento pode contribuir para aumentar a conscientização entre o Parlamento, as autoridades governamentais em estados e municípios, além da população em geral, sobre a relevância de preservar e expandir as iniciativas afirmativas no setor audiovisual, considerando também as empresas de pessoas negras e indígenas.”.
Um estudo divulgado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) em 2016 indicava que apenas 2% dos cineastas responsáveis por filmes lançados no mercado eram negros. No caso dos roteiristas, a porcentagem era ainda menor, de apenas 4%.
Em 2019, uma pesquisa realizada pelo Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (Gemaa/Uerj) indicou que, dos 142 filmes brasileiros lançados até então, apenas um era dirigido por uma mulher negra. Além disso, entre 1908 e 2015, de mais de 2,5 mil produções cinematográficas brasileiras, menos de 1% contaram com personagens negros na liderança. (Foto: Marcus Leoni/Divulgação)
Por Opinião em Pauta com informações da Apan



