China tem a pior taxa de natalidade desde 1949

Uma década após o término da política de controle de natalidade, conhecida como filho único, a China continua enfrentando uma crise demográfica sem indícios de melhora. Nesta última segunda-feira (19), informações recentes divulgadas pelo governo chinês revelam que, em 2025, o país registrou mais óbitos do que nascimentos pelo quarto ano consecutivo. A taxa de nascimento atingiu o seu nível mais baixo desde 1949, ano da criação da República Popular da China.

No ano de 2025, o estado apresentou um total de 7,92 milhões de nascimentos, resultando em uma taxa de natalidade de 5,63 por mil habitantes. No mesmo período, as mortes somaram 11,31 milhões, o que levou a uma taxa de mortalidade de 8,04 por mil. Dessa forma, o crescimento natural da população foi negativo. Atualmente, uma das nações mais habitadas do planeta possui aproximadamente 1,4 bilhão de habitantes, apresentando uma diminuição de 3,3 milhões em comparação a 2024.

Depois de várias décadas em declínio, a taxa de crescimento populacional da China tornou-se negativa em 2022, marcando um momento histórico em que o número de mortes superou o de nascimentos. Nesse contexto, os líderes do Partido Comunista Chinês estão tentando descobrir formas de incentivar a população a ter mais filhos. Essa questão se revela como um dos desafios mais sérios que as autoridades enfrentam atualmente. O envelhecimento da população tem imposto uma pressão significativa sobre os sistemas de previdência e saúde, indicando uma diminuição de trabalhadores em idade produtiva, o que pode comprometer o suporte a uma economia que busca continuar crescendo.

A diminuição na taxa de natalidade e o subsequente declínio populacional na China são considerados efeitos diretos da política do filho único, que esteve vigente de 1979 até 2015. Essa estratégia, que acentuou a crise demográfica vivida pelo país, estipulou que as famílias chinesas podiam ter apenas um filho, sob a ameaça de multas significativas e a perda de benefícios estatais, além da intensa pressão social e política que resultou em um grande número de abortos e abandonos de recém-nascidos.

O primeiro afrouxamento das regras aconteceu em 2016, permitindo que cada casal tivesse até dois filhos. Em 2021, esse número foi ampliado para três filhos por família. No entanto, mesmo com essas mudanças, as décadas de proibição ainda exercem influência. Foram introduzidas iniciativas como um auxílio nacional para o cuidado de crianças pequenas e a diminuição dos custos relacionados à gravidez, mas essas ações ainda não têm se mostrado suficientes.

A solução para o desafio transformou-se no ideal da nação promovido pela publicidade comunista. A revitalização, proclamada em 2012 pelo dirigente do governo, Xi Jinping, sob o nome de “sonho chinês”, ainda está distante de se concretizar.

A narrativa revela que o futuro e o destino de cada indivíduo estão profundamente conectados com os do seu país e de sua nação. O progresso pessoal só é viável quando a nação e o país estão em desenvolvimento. “Realizar o rejuvenescimento da nação chinesa é uma tarefa tanto honrosa quanto desafiadora, requerendo o empenho contínuo do povo chinês, de geração em geração”, afirmou Xi em seu discurso daquele ano. Além de motivar, as lideranças implementaram políticas para mitigar os impactossentidos, como a reforma do sistema previdenciário, a automação industrial e a promoção da participação feminina no mercado de trabalho. (Foto: Reprodução)

Por Opinião em Pauta com informações da AFP

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