Henrique Acker – O que move o Centrão é o velho conservadorismo das classes dominantes brasileiras, herdeiras do escravismo e de privilégios seculares assegurados pelo erário público, por meio da ocupação das instâncias de poder no Estado brasileiro.
Já o que motiva o bolsonarismo é o velho golpismo, preconceituoso, travestido de defesa da moral e dos bons costumes, que se associa ao neopentecostalismo e apela às Forças Armadas como fiador da “ordem”.
Nem o Centrão nem o bolsonarismo apresentam um projeto para o país e para seu povo. Sua ambição é controlar o caixa da União e dos estados, mantendo e ampliando seus negócios no atacado e seus aliados do varejo.
A sustentação desse sistema de privilégios só é possível graças a uma engrenagem de lavagem de dinheiro acumulado irregularmente e desviado dos cofres públicos, através de um sistema de circulação e especulação, dentro e fora do país, tendo como engrenagens bancos e financeiras.
O que une esses dois grupos é a defesa de interesses econômicos imediatos, numa maré do capitalismo de máfias que predomina no Brasil e no mundo. Em todos os estados seus representantes estão metidos com bandalheiras, até mesmo com organizações criminosas, como o PCC, o CV e as milícias.
O que justifica aprovar na Câmara dos Deputados, de madrugada, um projeto que beneficia corruptos e golpistas? Trata-se de um recado claro para o povo brasileiro: para nós a impunidade, para vocês repressão, cadeia e morte.
O que mais incomoda ao Centrão não é que seus líderes sejam desmascarados. O que não desce pela goela dessa turma é que ameacem seus negócios escusos.
No caso do bolsonarismo, o que trava seu avanço é o funcionamento dos órgãos de justiça e polícia com independência, cumprindo suas funções com isenção técnica em acordo com a lei.
No Brasil de hoje, três figuras dificultam a sobrevivência dos esquemas parasitários, tanto do Centrão quanto do bolsonarismo:
1) O presidente Lula, que, apesar de moderado e conciliador, não transige com falcatruas e é fiador da democracia e dá autonomia para a atuação do MP e da PF;
2) O ministro Alexandre de Moraes (STF), ao usar da lei para desmascarar, encurralar e frear o golpismo bolsonarista;
3) O ministro Flávio Dino (STF), fazendo valer os instrumentos legais de fiscalização das emendas parlamentares, que alimentam a máquina de enriquecimento ilícito e eleitoral do Centrão.
O projeto de anistia, conhecido como PL da bandidagem, reduz as penas dos cabeças e executores da tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023. Se aprovado no Senado, esse projeto incentivará a impunidade dos que atentarem contra a Constituição e a Democracia.
De quebra, a aliança Centrão/bolsonarismo exige a cabeça de Glauber Rocha, deputado que denunciou o esquema das emendas parlamentares que consome 25% do Orçamento do país, alimentado desde 2015 e, atualmente comandado pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira.
O desespero dos bolsonaristas e do Centrão motivou a aprovação do PL da bandidagem na Câmara, que agora segue para o Senado. A cada operação da Polícia Federal, municiada pelo Ministério Público, confirmam-se as ligações íntimas entre esses dois grupos e atividades criminosas.
Por isso, o recado das classes dominantes foi dado: ou param com as investigações e prisões, que ameaçam desbaratar suas quadrilhas e seus negócios, ou elas vão atropelar o Estado Democrático de Direito.
O corte da transmissão da TV Câmara, a truculência contra Glauber e os jornalistas na sessão de 9 de dezembro foram só uma pequena amostra.
Ao povo brasileiro resta voltar às ruas para protestar e apoiar os órgãos democráticos de investigação e justiça. E, quem sabe, rechaçar e derrotar a maioria parasitária que controla a Câmara e o Senado em 2026. (Foto: Reprodução)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista).



